Falar com alguém significado

Bostear: Verbo O que é Bostear: Termo utilizado em determinadas regiões para indicar uma situação em que alguém ou um grupo de pessoas, causam uma grande decepção por falhar em um momento fundamental, algo que não se esperava que ocorresse naquela ocasião. O maior auditório do Hangar Centro de Convenções da Amazônia ficou pequeno para a concorrida posse do pastor Gilberto Marques, que assume a coordenação das igrejas da Assembleia de Deus em Belém. An icon used to represent a menu that can be toggled by interacting with this icon. Nos-sa ideia com esse livro é que ele possa dar algum tipo de ajuda para os terapeu-tas e pais, evitando que a gagueira tome proporçoes mais severas, prolongando o tempo de tratamento. Existem estatísticas que indicam que 90% das gaguei- ras tratadas precocemente evoluem para um bom prognóstico de recuperação. O Scribd é o maior site social de leitura e publicação do mundo. Considerando denúncias veiculadas pela TV, a CGADB, na pessoa do seu Presidente Pr. José Wellington Bezerra da Costa, publicou NOTA DE ESCLARECIMENTO no Jornal O Mensageiro da Paz, editado pela CPAD, edição de Julho/2009, reproduzida em seu Blog pessoal, cujo link disponibilizo aqui para conhecimento. Diferença entre Fatar com a palavra e outras palavras, Comparação entre Fatar com a palavra e outras palavras, Quando usar Fatar com a palavra ou outra palavra sua conta e sera direito algum o excesso de ferro funlido, bando oa laminado qae por ventura baja 8t o peso de 5 toneladas, alem do calculado no ornamento. Xrt. 6. O contratante e seas s icios se os tiver nao poderao em temp algum allegar perdas e daaos, nem osar da encapacoes algamas para o que renti'bciam a todcs os cargos fortuitos. Art. 7.'

Girias

2020.09.22 15:36 allthegrapes Girias

Sou estado-unidense eu moro no Brasil, gostaria de criar um feed pra trocar gírias! pode ser gíria portuguesa, brasileira, de outros lugares que falam português! para começar vou compartilhar umas gírias brasileiras que conheço e o significado que eu entendo de cada. sinta-se livre à me corrigir! kkk
"Cu na mão" ; estar com muito medo de algo acontecer por exemplo : "Gente ontém eu fiz um teste de gravidez e eu tava com cu na mão esperando!"
"Pisar na bola" ; cometer um erro de decepcionar alguém/algumas pessoas por exemplo : "O Francisco não apareceu na festa e nem avisou, pisou na bola mano."
"Pegar fogo" ; essa também é uma expressão verdadeira mas como giria quer dizer que algo se tornou uma locoura (ou bom, ou ruim) por exemplo : "A festa foi daora daí o cara surtou e a coisa pegou fogo. Saí correndo."
"Daora" ; essa é uma que só ouvi falar no interior de São Paulo que quer dizer muito legal, incrível por exemplo : "Mano, você chegou à assistir essa serie? É daora."
Compartilhe suas gírias preferidas aqui !!
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2020.09.18 19:01 HappyPressure8291 Razão ???

Então, recentemente eu e meu namorado temos desgastado bastante a relação com discussões relacionadas a insegurança, paranoia e etc. E penso que por agir muito pelo emocional, eu acabo sendo a mais imatura da discussão, não é fácil lidar com isso, pois essa imaturidade atinge muito mais a minha pessoa, visto que ele super compreende eu estar sendo emotiva e achar que não aconteceu nada de mais. Um exemplo bem prático disso é o fato de ontem termos discutido e ele foi dormir tranquilo e falando que me ama mesmo eu super brava e pedindo pra ele tirar a foto de perfil e aceitar que vamos terminar por que não tem muito o que se fazer, enquanto que fiquei a madrugada toda pensando em muita coisa e fazendo testes de insegurança, de saber se o parceiro é traíra. Bom depois de tudo que eu disse acima, já devem imaginar quem é o mais inseguro da relação, ah também sou a paranoica(óbvio) e sou para a surpresa de quase ninguém. Muito ciumenta, e foi por esse motivo em especifico que brigamos, eu não consigo ver esperanças na minha evolução, e sinceramente, o que era um ciúme normal é que tá evoluindo pra outras coisas piores(possessão e etc. ), talvez por que tenho andado mais emotiva que antes nessa pandemia(no qual muita coisa ruim tem acontecido na minha casa) não sei... Mas fiz essa postagem por que estou muito indecisa racionalmente sobre uma questão. Uma amiga nova chegou na área, que na verdade já era colega a algum tempo, mas só agora que essa amiga terminou o namoro eles conversam com certa frequência e bastante intensidade(fotos, memes, vídeos, fofoca, conversa sobre a vida), incluindo muito esforço da parte dela para manter a amizade com ele. Engraçado é que acabei me envolvendo com ela também, ela é uma ótima pessoa, mas mesmo assim me sinto muito insegura, sei que ela tem outras pessoas na vida dela, mas não entendo a insistência em ser nossa amiga, pois nem parece que ela gosta mesmo de mim, e o meu emocional com certeza afirma que ficaria muito feliz com o termino da amizade entre eles. Mas racionalmente sei que isso é muito abusivo, eu controlar algo que eu nem deveria. Mas para frisar minha insegurança, tenho que dizer que me assusta muito quando ela diz coisas como ''eu me apoio na amizade com um cara e acabo gostando dele, sempre fiz assim, supri minha carência com outros caras'' isso é ameaçador pra mim sabe?... Eu só consigo imaginar nela vendo o quanto meu namorado é um cara bacana e acabar gostando dele e tende real motivo para não gostar de mim e só me manter por perto por falsidade sabe?. O que aconteceu com ela no termino do namoro não desejo a ninguém, ela ainda tá muito confusa, e eu queria que ela não se sentisse assim e de certa forma culpada, então no começo até apoiei bastante a amizade dos dois, falava pra ele perguntar se ela tá bem, tentar distrair ela... me arrependo disso, eu não devia ter responsabilizado ele por algo que eu mesma poderia ter feito por ela. Mas eu queria que ela se sentisse acolhida por nos 2, e acho que é assim que ela se sente agora, mas não posso negar que ainda vejo como ameaça, não sei, talvez ela tenha mudado o suficiente para não ficar mais querendo depender emocionalmente de alguém assim... mas vai saber? isso nem é algo tão ruim quando esse alguém tá disposto a te ajudar de verdade a se sentir segura e tals. Foda é que eu não consigo estudar, pensando que vou passar muito tempo fora e que ele vai tá tão envolvido com ela, por que coincidentemente ele tava no seu intervalo de estudos, e acabou compartilhando opiniões parecidas com ela e etc... sla... muita paranoia pra descrever aqui, mas eu realmente não sinto que estou pronta pra aceitar essa amizade. Ele e ela, que eu conheço bem, combinam mais do que eu e ela ou eu e ele(ele é mais amigo dela). No jeitinho de ser, de acreditar nas pessoas, pensar o melhor delas kk. Eu não sou assim vey... já sofri demais com as pessoas pra isso, inclusive da parte desse namorado, coisas parcialmente superadas, mas que a gente ignora, e que, desde que não aconteça de novo, da pra manter a relação. Resumindo, essa gama de defeitinhos meus, me fazem ter certeza de que eu só tenho algumas poucas soluções racionais pra isso tudo, vou listar 3: 1- Continuar próximo dos dois(por que longe eu já não consigo aceitar gst dos 2, n qro parecer um monstro, só sou humana sabe: imperfeita, cheia de problema, depressiva, ansiosa, to carente e etc kkk) e me esforçar(mesmo que doa muito) pra acreditar(mesmo que seja difícil demais) que eles só serão amigos mesmo; 2- terminar o namoro e desejar muita felicidade pra ambos que foram meio que motivo do termino, juntos ou não e 3- fazer que ele se distancie dela por tempo indeterminado, mas se possível bem breve(gosto que ele tenha amigos, isso faz ele feliz), até que eu pense melhor sobre tudo, sem que eu precise me distanciar dele que é a pessoa que eu mais amo, alias a distância entre ela e eu nem é uma opção, mas pode ser sim consequência, só que de fato eu até gosto de compreender o significado que ela tem na vida das pessoas ao redor dela e vejo isso conversando com ela, o que é bom, já que meu namorado é um pouco sonso ao me dizer o que ele acha que ela significa pra ele, ele diz: ''não sinto nada'' mas até eu não consigo dizer isso aí. Sinto compaixão por ela, carisma da parte dela, simpatia e etc. Mas vale lembrar que tenho um pouquinho de medo, por que acho ela muito melhor que eu, só por ter essa essência e ela auto afirmar as vezes que consegue conquistar qualquer um com boa conversa, é mais ameaçador ainda, e pode ser bobo mas por mais que no começo eu achava fofo agora comentar ''que casal fofo'' e coisas similares a ''meu casal''(Vitão 2018), me causa pavor, kkkk brincadeirinha kkk. Raiva tenho também, mas só dele mesmo, por ser sonso a ponto de dizer também ''que tal nos usar essa metadinha de 3 com ela?''. AFF do nada, num momento nosso qnd estamos vendo fotos juntos e umas metadinhas DE CASAL pra usarmos. Na verdade, se eu não fosse tão insegura até que seria uma boa ideia, mas qualé, ele sabe como sou... acho que me desrespeitou nesse sentido, de ver que eu tava me esforçando pra não falar dela, pq sempre acabo desgastando muito a relação cm muita paranoia, e ele ir e falar dela, me deixa pensativa e séria de novo, pra compensar ele concordou com essa terceira opção minha ''3 fazer que ele se distancie dela por tempo indeterminado, mas se possível bem breve''. Que sinceramente seria a que mais me deixaria feliz, e aí gente, acham que se eu repensar, consigo equilibrar melhor a razão e a emoção? e talvez ache uma opção mais sensata do que essa última. Acham que estou sendo ciumenta em excesso? e que eu devo me responsabilizar sozinha(msm ele sendo um fator pra minha insegurança) por isso, não terminando mas dando um jeito. ME AJUDEM! EU QUERO SER UMA BOA PESSOA, sem isso eu não me sinto mais nada nesse mundo e posso querer acabar com tudo logo(eu sei que preciso de terapia), por que só vejo sentido naquilo que tem sentimento e minha vida se resume muito a ser boa pra ele, alguns amigos e pro meu doguinho que ele prometeu cuidar caso algo aconteça comigo. :) ''Por que não vou ao psicólogo? bom, não tenho grana, simples. Desde já agradeço a pessoa que ler esse texto enorme, tentei ser bem objetiva e clara sobre tudo, espero que tenham compreendido.
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2020.09.12 01:27 sheisice Crise existencial? Qual o sentido da vida?

Estou a escrever este desabafo novamente porque ontem o apaguei sem querer. Há uns dois dias sai com duas amigas minhas e antes que digam que não respeitei a quarentena, moro em Portugal, onde a quarentena acabou há meses. Continuando...
A maioria dos meus amigos já trabalha ou estuda na faculdade enquanto que eu, por ter 'acabado' a escola mais tarde, não faço nem um nem outro. Pretendo começar a trabalhar ainda este ano mas esse não é o tema deste desabafo. É frustrante para mim saber que não posso compartilhar experiências parecidas com as dos meus amigos pois parece que estamos em fases diferentes de vida mesmo com a mesma idade. Sei que este ano não vou poder entrar na faculdade e que provavelmente no próximo ano será a mesma coisa mas mesmo que entrasse, acho que a faculdade já não teria o mesmo significado para mim como antes. E sim, eu sei que a vida não se resume em fazer um curso, trabalhar para construir uma família, apesar da nossa sociedade ver isso como o básico para uma pessoa ser minimamente feliz.
Então quando saí com as minhas amigas, o que deveria ser um encontro alegre tornou-se sufocante.
Elas as duas estudam o mesmo curso mas em faculdades diferentes, ambas acabaram o primeiro ano e claro que ficaram muito entusiasmadas em compartilhar isso comigo. Eu fiquei feliz por elas. No entanto, 90% da conversa que tivemos foi sobre o curso delas(não estou a brincar quando digo isso) e foi ai que comecei a desejar voltar para casa. Não queria sentir inveja ou algo do tipo mas também não queria ficar aquele tempo todo a falar só de faculdade quando elas mesmas estavam de férias! Eu pedi para falarmos de outros temas além do curso delas e elas concordaram. Falamos um pouco sobre o que cada uma fez durante estes meses e claro que elas tinham novidades para contar (namoro, passeios, a vida dos nossos amigos, etc) enquanto que eu não tinha nada de emocionante para contar pois passei praticamente estes meses em casa, mesmo quando a quarentena acabou aqui em Portugal.
A conversa continuou e uma das minhas amigas que tem o costume de interromper a conversa para falar dela mesma, não parava de nos interromper. Tivemos até que lhe explicar que ela estava a interromper e ela pediu desculpa. Ela costuma fazer isso mas não o faz com arrogância, apenas fica muito entusiasmada. Todos temos defeitos, né? Então quando essa minha amiga recebeu uma chamada, a minha outra amiga começou a falar comigo e foi ai que eu comecei verdadeiramente a falar, sem frases soltas ou monossílabos. Até a minha amiga comentou isso, que enquanto a outra falava por chamada, eu comecei a falar.
Durante a conversa, comentei sobre ter pensado no verdadeiro sentido da vida pois passei estes meses a me questionar muito sobre isso. E quando elas me perguntaram qual era o sentido da vida para mim eu respondi algo como "O sentido da vida para mim? Acho que é sobreviver!". A frase soou deprimente pois as repostas delas em relação à pergunta foram muito mais interessantes e cheias de sonhos como "acabar a faculdade ou marcar a diferença ajudando alguém e bla bla". E mais uma vez senti-me uma idiota.
Elas voltaram a puxar o assunto faculdade, começaram a falar sobre as matérias do curso que eu não entendia nada mas sorria e fingia adorar ouvir tudo. Elas se aperceberam que estavam a falar demais sobre isso e pediram-me desculpas mas sempre voltavam para o mesmo. Algumas vezes ainda tentavam que eu falasse sobre outras coisas mas eu não tinha nada de interessante para dizer. Comecei a desejar que o dia acabasse logo e felizmente uma delas disse que tinha que ir para casa e eu aproveitei para também sair dali.
Quando cheguei a casa chorei. Sentia-me uma falhada e vazia por dentro. Percebi que a minha vida está parada, fechada numa bolha, porque eu não faço nada para mudar isso, simplesmente fico no conformismo. Quero emoção, algo novo na minha vida mas estou cansada de viver. Quero pessoas verdadeiramente interessadas em me conhecer profundamente pois sinto que a maioria que me cerca não quer saber de mim de verdade, talvez me achem muito burra ou apenas apagada...Mas como posso querer que me conheçam profundamente quando nem eu faço esse esforço por mim mesma? Será que devo mesmo me esforçar mesmo sabendo que não valerá mais a pena pois vou morrer um dia?
E não, não me vou suicidar. Apenas estou cansada. Sinto que a vida não tem significado. Fazer x cursos, ser dono de uma empresa ou construir uma família. Tudo isso um dia vai acabar quando a morte chegar e eu só quero que ela chegue. Sei que estou numa crise existencial a encaminhar para uma depressão. Sei também que este texto ridículo não me vai levar a lado nenhum mas estou cansada. Só quero perceber o sentido de colocar vida na terra para depois sofrermos. Pessoas vivem com a dor e falta de itens básicos na vida enquanto que eu, com os pais vivos, um teto e amigos, sinto-me vazia, estranha...
Qual seria o sentido da vida se não sobreviver? Os últimos meses foram intensos para todos nós e isso só me fez ver que não tem necessidade nenhuma estarmos vivos. As pessoas sofrem, uns mais que outras. É inevitável. Estou cansada de ver tanto sofrimento para depois saber que vamos todos morrer.
O mais engraçado nisto tudo é que eu faço parte daquele grupinho de pessoas que acredita em vidas passadas (sim, não me julguem). Então, sendo eu uma pessoa que acredita no reencarne e desencarne, devia saber que a vida apesar de efêmera, terá continuidade noutra vida e que não estamos aqui nesta vida por acaso. Só que ultimamente esse pensamento criou-me mais incertezas do que certezas. Porque se de facto vidas passadas existem, eu não quero reencarnar novamente. A vida já é tão exaustiva para reencarnar novamente...
É isso. Eu não quero tirar a minha vida, apenas quero que a vida me tire dela.
Enfim, obrigada se chegaram até aqui. Peço desculpas pelo desabafo cheio de contradições e erros ortográficos. Se quiserem dizer algo, fiquem à vontade!
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2020.08.26 00:55 flickknife Por que as pessoas procuram outras pessoas com os mesmos gostos?

Esses dias eu tive uma conversa com uns amigos e fiquei muito curioso sobre um tópico que vem me trazendo desconforto faz um tempo.
Estávamos tendo uma conversa entre amigos normal, e um deles perguntou que tipo de namorada nós gostaríamos de ter no futuro, eu fui o último a responder e quando comecei a escutar a repostas deles fiquei muito confuso por ser o único que tinha uma ideia diferente da deles, todos eles disseram os seus gostos, implantando em uma pessoa de bom agrado visual, e foi nesse momento que comecei a refletir sobre.
Sempre que penso sobre isso, o que eu sempre quis é uma garota com gostos distintos dos meus, penso que eu teria varias coisas pra ouvir e pra falar, e não ouviria coisas que já sabia. Nunca namorei, nunca fiquei com alguém, mas acho que seria muito entediante namorar um "espelho meu", entende?
Eu sempre fui um cara tímido, sempre gostei de refletir sobre as coisas e curto muito filosofia, comecei a pensar sobre isso quando eu descobri os significados das palavras "introvertido" e "extrovertido", então eu pensei "sou introvertido e prefiro assim, mas ser extrovertido deve ser muito foda". Agora eu sempre gostei de pessoas que têm diferentes gostos, sempre que converso com alguém tento focar a conversa nos gostos da outra pessoa, e não tenho pressa de falar sobre mim, pois sempre fico interessado ouvindo coisas que nunca ouvi.
Não é um desabafo, é mais um tópico para uma discussão, gostaria de ver o que vocês acham disso, e se tiver alguém que prefira ficar junto a alguém com os mesmos gostos gostaria de ouvir o seu lado!!
Muito obrigado pela atenção!!
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2020.08.18 18:04 comentario_relevante Muito obrigo Renan

Olá sou um comentario relevante, sou um usuário que de falo sobre minha opinião com críticas, soluções e comentários relevantes, hj eu vou falar sobre Renan Souzones, um homem sapucaiense nascido na município de Sapucaia no estado do Rio de Janeiro.
MINHA HISTÓRIA E CREDIBILIDADE COM O CANAL
Ei o acompanho a muito tempo, o seu primeiro video que eu assisti foi lançado em 28 de agosto de 2015, onde um homem humilde, magro que estava deixando a barba crescer, ele estava fazendo um video de um jogo, para mim desconhecido um jogo inspirado aparentemento em um assassinato em uma pizzaria americana chamada chuck and cheese onde um funcionario assasinou 4 pessoas,quando o estabelecimento estava fechado onde trabalhavam 6 sendo uma delas o assasino qua matou 4 funcionarios achando que tinha matado os seus 5 colegas de trabalho onde o sobrevivente se escondeu na cozinha onde chamou as autoriedades locais sendo testemunha em flagrante, bem eu acho que alguns já sabem o video que eu estou falando, o primeiro video de FNaF de Renan, bem esse Renan de 5 anos atras não sabia esse problema que estava criando...
O QUE FAZ ESSE CANAL ESPECIAL ?
Renan nesse video estava fazendo um video inspirado no criador de conteudo americano Matthew Patrick, conhecido popularmente como MatPat, com o objetivo de trazer esse conteudo para as pessoas que não falavam a língua inglesa, trazendo uma nova personalidade e significado para o video. Huestation sempre foi um canal de "gameplays da zoeira", mas não só isso Renan tinha personagens cativantes, como jerry um tigre astuto, que se estivese andando na rua, estaria atento para ver se tinha alguém o perseguindo para sair correndo com suas 4 patas, uma bola de basquete amerela, dislexica e vacilona (atualmente banida do morro de sapucaia), um pesquisador alemão com poucos conhecimentos sobre o brasil, costumes requintados, claro nosso rei de sapucaia, Renan Souzones um homem de superação que conseguiu subir na vida por causa de suas gameplays de qualidade personalidade carismática e atualmente seus patrocinadores como a roxx energy com o total de por volta de 1200 videos, que infelizmente foram ofuscados por 104 videos que eram apenas uma exceção no conteudo do canal e começou a crescer descontroladamente.
CONCLUSÃO
Renan acabou se deixando seu canal aos poucos virar apenas FNaF, Retirando o sentido do canal: um canal de gameplays da zoeira de jogos diversos, assim Renan decidiu dar uma repaginada em seu conteudo, retirando cada vez mais FNaF de sua programação, mas um grupo de pessoas simplismente torseu o seu nariz e se revoltou com o Renan, que falou sobre o seu canal era sobre gameplays da zoeira de jogos diversos, assim esse grupo virou um problema, chegando uma época onde os comentários eram apenas pessoas pedindo para o Renan jogar FNaF, como se o Renan tivese criado esse canal apenas para FNaF, agora o Renan praticamente retirou esses pessos de suas costas.
MINHA IDÉIA
Renan você poderia apagar seus videos de FNaF e criar um canal apenas de FNaF, sendo uma espécie de contensão para essas pessoas, assim alimentando essas pessoas com re-uploads, assim resolvendo seu problema.
AGRADECIMENTOS
Renan gostaria que você fosse o maior canal do Brasil, vc se esforça em tudo que vc faz, ver seus videos é rotina a anos para mim, se vc não tivese começado com FNaF eu nunca iria me aprofundar em jogos independentes e não conseguiria sair de uma antiga repressão. Ver que isso te custou muito me deixou com sentimento de culpa, então eu decidi tentar te ajudar assim como vc me ajudou Indiretamente quando eu precisava, tamo junto Renan.
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2020.07.30 17:06 jpedro6464 Como o termo "pornografia amadora" expandiu minha percepção sobre o assunto.

Admito sempre ter consumido pornografia (não sou tão velho assim perae), mas me enquadrava em um grupo estranho. Eu não sentia culpa por consumir o conteúdo, nada da "depressão pós punheta", nenhum nojo nem nada e eu nunca soube o motivo e por isso sempre me identifiquei como um doente no caso. Nunca curti nem mesmo vi nenhum ramo da pornografia profissional simplesmente pelo fato de eu sempre ter percebido a artificialidade daquilo, então sempre busquei algo mais aleatório, informal, atualmente chamado de amador. Por isso eu estranhava quando ouvia falar que as pessoas que consomem pornografia só pensam em perfeição e adquirem diversos problemas, algo que eu não duvido mas não acreditava exatamente pelo fato disso passar muito longe da minha cabeça já que eu nunca via a "perfeição" neste conteúdo. Até um dia eu ler em algum lugar sobre pornografia amadora, ver as opiniões que se enquadravam na minha completamente e ler o significado, que era exatamente o que eu consumia e perceber o quão mais saudável é você consumir a pornografia amadora do que a pornografia profissional, perceber o motivo das pessoas que consomem sentirem tanta culpa e necessidade de parar com isso. Alguém aí sabia dessa diferença ou só considera tudo como a mesma coisa e acha que dá tudo no mesmo?
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2020.07.28 03:41 clarice_lisnectar burro

quem é burro? o que é ser burro?
teoricamente alguém com uma certa incapacidade de cognição, que não entende as coisas e está em um certo nivel inferior, em relação ao não-burro, ou inteligente,
o burro não pode falar pois ele não entende das coisas, é uma de questão de fala, se vc é tido burro, você não pode explicar, só não-burros explicam as coisas, pois eles tem capacidade de interpretar e entender, pois são inteligentes,
o que determina o burro e o inteligente,
primeiro que pra ser burro voce tem que se manifestar de alguma forma, essa manifestação será tida como burrice, pra ser burro tem que fazer burrice,
ai temos uma certa genealogia de burrices que sustentam o ser burro, uma sequencia de coisas que foram expressas, postas em evidencia que preenchem o espaço social, como o lugar do burro,
o burro em algum momento, o sujeito burro, ele após uma certa quantidade de coisas tidas como burricos que não são apenas coisas ditas, mas coisas que aconteceram tipo, caiu da bicicleita, burrica, ele se entende como um burro, afinal, mesmo, essas coisas aconteceram
isso só é possivel pq o sujeito burro passa a considerar burrices, em contrapartida das inteligencias, isso pra poder tentar acertar, afastar do que é burrice e aproximar do que é inteligencia,
por exemplo, um cara me disse que é burrice ir para um pais mais pobre do que o seu pais atual, isso quer dizer que, na concepção dele, ir para um pais mais rico é inteligencia,
mas existem sentidos marcados os quais estão alem do que é considerado burrice, ir para o pais mais pobre é burrice, mas quem faz isso não necessáriamente é burro, o inteligente vai para o pais rico, mas sim, ele é inteligente por fazer isso, isso por que, esse processo de escolha que determina a ação burra e a ação inteligente é determinado pelo inteligente,
ao afirmar que o burro é quem vai para o pais pobre, nao quer dizer que quem vai para o pais pobre é burro, mas sim que ele, ao ir para o pais mais rico, é inteligente,
então a definição de burrico e inteligencia tem a função de afirmar o inteligente, o burro ele só poderá ser burro em comparação em subordinação discursiva ao inteligente, ao passo que ele será certamente deixado para tras em algum momento pelo inteligente e nao haverá mais ninguem inteligente para haver o comparativo, logo o burro, deixa de ser burro quando inteligente usa o burro para se afirmar, pois a existencia do burro tinha pura e unicamente essa funação,
agora o porque da categorização do burro, da seleção de atos e falas que o determinem dessa forma, ?
essa escolha de ações e falas que determinam o burro é algo capaz de ser significado em todas estancias, desde que alguém, na tentativa de ser inteligente se disponha a encontrar significados e sentidos que possam servir para dizer que alguém é burro, alguém que servirá para afirmar o inteligente enquanto pessoa de inteligencia e capacidade,
quanto mais inteligente alguem tenta ser, mais pessoas precisam ser emburrecidas, uma unica pessoa altamente inteligente pode gerar uma esfera de milhões de pessoas burras, se submetendo a serem burras para validar a inteligencia deste ser social,
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2020.07.23 10:48 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte IV - SUGESTÕES DE LEITURAS pt4 HBR

HISTÓRIA DO BRASIL16
16 Sugiro estudar ao menos um pouco História do Brasil e História Mundial antes de começar a estudar Política Internacional, por motivos óbvios. Vale dizer que boa parte da bibliografia de História Mundial pode, também, ser válida para os estudos de política internacional (vide Guia de Estudos).
- Apostilas “Anglo Vestibulares” (para História do Brasil, ler as duas apostilas da matéria na íntegra, com menos ênfase no período colonial): peguei as apostilas do 3º ano do ensino médio do sistema de ensino Anglo (série Alfa) de meu irmão. São quatro apostilas finas (no total, devem ter umas 300 páginas de Brasil e 100 de Mundial, se contar apenas após o Iluminismo). Inicialmente, peguei as apostilas para uma revisão inicial da matéria, mas devo dizer que fiquei impressionado com a qualidade e com a quantidade de informações que eu não havia achado em nenhum outro lugar. Acho que ninguém gosta de ler livros de História que divagam e que, embora bons em algumas partes, também têm alguns capítulos chatos e nem sempre muito interessantes. Inicialmente, achei que as apostilas fossem ser bem gerais (como são, geralmente, os estudos de ensino médio), mas elas me surpreenderam pelo poder de concisão e, ao mesmo tempo, por possuírem muitas informações boas. O mais interessante é que, por se tratar de apostilas voltadas para a revisão de vestibulandos, elas não incluem coisas mais gerais e de que toda pessoa ensinada tem conhecimento; são concisas e informativas. Eu grifava quase tudo dos capítulos. Em História do Brasil, fiz o teste e li determinadas matérias (Colônia e I Reinado) nas apostilas e comparei com a leitura do Boris Fausto (descrição a seguir). Para minha surpresa, a apostila, nessas partes, tinha mais informações e era mais interessante para o que CACD pede que o Boris Fausto. Resultado: fiz o que, para muitos, seria considerado um crime e abandonei o Boris Fausto. Não sei se dei sorte, porque não se cobrou História pura na terceira fase, apenas história da política externa. Possivelmente, os conhecimentos que deveriam haver sido apenas introdutórios foram suficientes, justamente, porque foram introdutórios à matéria de História da política externa, que estudei por outras obras (indicadas a seguir). De todo modo, eu não poderia deixar de fazer a indicação. As apostilas est~o disponíveis para download no “REL UnB”.
- História do Brasil (Boris Fausto): Cuidado! Não é História Concisa do Brasil, é só História do Brasil. Lançaram essa concisa (até constava na bibliografia dos Guias de Estudo, quando ela ainda existia), mas, segundo informações de professores de cursinho, não é boa, há cortes mal feitos e muita coisa fica de fora. O História do Brasil é, dizem, melhor. Para ser bem sincero, li só até meados do Império, que foi o tempo de descobrir as apostilas do Anglo. Depois disso, não toquei mais no livro do Boris Fausto. De qualquer modo, é bastante importante e bem recomendado.
- História da Política Exterior do Brasil (Amado Cervo e Clodoaldo Bueno): leitura completa obrigatória, um dos mais importantes de toda a bibliografia. Leia atentamente, faça resumos, fichamentos, mapas mentais, o que puder ajudar a gravar o máximo de informação possível. Ajuda em Política Internacional também. Na prova da terceira fase de História do Brasil de 2011, as quatro questões foram sobre história da política externa brasileira.
- Manual do Candidato: História do Brasil (Flávio de Campos e Míriam Dolhnikoff): já ouvi falarem muito mal dele, mas achei interessante, principalmente por duas razões. Em primeiro lugar, os capítulos são divididos por temas de maneira bastante útil (economia; sociedade e cultura; política externa etc.), o que facilita na complementação de estudos em temáticas que você não encontrou muito bem trabalhadas em outras fontes. Em segundo lugar, relacionado ao primeiro, só no manual achei itens mais pontuais referentes aos tópicos “sociedade e cultura”, que eu n~o havia encontrado, de maneira mais simples e sistematizada, em outras obras. Recomendo o possível uso desse manual como complemento a seus estudos de História do Brasil, especialmente das partes que você n~o encontrar em outras bibliografias (como “sociedade e cultura”, em meu caso). Além disso, há boas sugestões de leituras (tanto de bibliografia básica quanto de bibliografia complementar) ao final de cada capítulo do manual. Apesar de ser um manual massacrado por alguns, eu não o dispensaria. Não aconselho, entretanto, que se faça uso desse manual como leitura introdutória. Acho válido ler outras bibliografias de caráter mais geral primeiramente.
- Navegantes, Bandeirantes, Diplomatas (Synesio Sampaio Goes Filho): eu havia lido na Universidade e tinha um resumo muito bom dele (encontrado na internet), então só estudei pelo resumo mesmo. De todo modo, é bem curto e excelente livro sobre a formação territorial do Brasil, assunto recorrente do CACD. Vale a pena a leitura atenta, tomando notas acerca dos principais tratados de limites (nomes, datas, negociadores e o que mudou para o Brasil com cada um). Cobre praticamente todo o primeiro tópico de História do Brasil (só n~o digo “todo” porque, embora eu não saiba o quê, alguma coisa deve ter ficado de fora, nada na vida é tão fácil assim) e é fundamental para o concurso (matéria frequente da primeira e da terceira fases). Um resumo que encontrei na internet est disponível para download no “REL UnB”.
- Formação da Diplomacia Econômica do Brasil (Paulo Roberto de Almeida): o livro é bem grande, com muitos detalhes, então o que interessa são aspectos mais gerais. Usei apenas algumas poucas páginas, para suprir alguns pontos de política econômica no século XIX (tratado de 1827 com a Inglaterra, leis tarifárias pós-Alves Branco e tratado Blaine-Mendonça), mas pude ver que há muita coisa interessante para o estudo de História do Brasil de uma maneira geral também (para isso, atenção aos quadros das páginas: 54-56; 547-550; 579-591; 605-611; 627-628 – podem ser bons resumos não só para temáticas econômicas). Sugiro dar uma folheada, se você tiver tempo.
- Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Jr.), História Econômica do Brasil (Caio Prado Jr.) e Formação Econômica do Brasil (Celso Furtado): também estão na leitura recomendada para Economia e já caíram como leitura obrigatória de Português na segunda fase. São livros importantes sobre história econômica brasileira, e, mesmo que não leia os livros (só os li na universidade; para o concurso, li apenas resumos), pode ser interessante saber o argumento principal do autor e algumas características mais gerais. Acho que um resumo bom pode ser a solução, uma vez que colônia não é a temática principal nem da prova de História do Brasil, nem da de Economia.
- Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda): também recomendado para a segunda fase, embora o cerne da atenção seja outro. É um livro curto e tranquilo de ler, mas nada que um resumo bom não possa ajudar com os principais argumentos. Acho que a relevância, em História do Brasil, talvez esteja mais em fornecer eventuais ilustrações e argumentos de autoridade para a terceira fase que na história presente no livro (com a ressalva de que, nos últimos anos, a possibilidade de usar qualquer coisa de História na terceira fase que não envolva política externa ter sido progressivamente reduzida). O prefácio da 26ª edição, de autoria de Antonio Candido, já serve como bom fundamento nesse sentido (“O Significado de ‘Raízes do Brasil’”, disponível para download no “REL UnB”).
- Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre): acho que não vale a pena a leitura, principalmente por questões de tempo e de possíveis benefícios em termos de aproveitamento no concurso. Um resumo bom das principais ideias do livro pode ser suficiente (mesmo assim, acho que não vale muito a pena para a terceira fase, pode ser mais útil na segunda).
- Os Donos do Poder (Raymundo Faoro): também n~o li. H resumo no “REL UnB”.
- Introdução ao Brasil: um Banquete nos Trópicos – 2 volumes (Lourenço Dantas Mota): essa obra será, também, útil para seus estudos de Literatura. Não li para a primeira fase, e não me fez falta. Para a terceira, talvez possa ser importante, mas não li. Para a prova discursiva de História do Brasil, destacaria os capítulos:
· Volume 1: “Formaç~o do Brasil Contempor}neo”, “Formaç~o Econômica do Brasil”, “Os Donos do Poder”, “Conciliaç~o e Reforma no Brasil” e “A Revoluç~o Burguesa no Brasil”.
· Volume 2: “D. Jo~o VI no Brasil”, “A América Latina: Males de Origem”.
- A Construção da Ordem/Teatro das Sombras (José Murilo de Carvalho): juntamente com Os Donos de Poder, são importantes obras para o concurso, mas, como não tive tempo de ler, peguei resumos e acredito que foram suficientes. Acho que o principal desses autores é pegar alguns argumentos centrais que podem ser usados como argumento de autoridade na prova da terceira fase. Os resumos est~o no “REL UnB”.
- A Formação das Almas (José Murilo de Carvalho): a recomendação que recebi é que um resumo poderia substituí-lo, e foi isso o que fiz. Resumo no “REL UnB”.
- Maldita Guerra (Francisco Doratioto): além de o Doratioto ser membro da banca corretora da terceira fase (e professor do Curso de Formação do IRBr), é um livro sobre temáticas muito importantes. Como não tinha tempo, estudei os tópicos referentes a esse livro em outras obras mais sucintas. Li apenas o capítulo 1 (“Tempestade no Prata”) para a terceira fase, como recomendação do professor do cursinho, mas nem é muito bom. Muito melhor que esse capítulo é o artigo “O Império do Brasil e a Argentina (1822-1889)”, do próprio Doratioto [Revista do Programa de Pós- Graduação em História da UnB, Vol. 16, No 2 (2008)]. Aproveitando a temática das relações Brasil- Argentina, sugiro o artigo “Relações Brasil-Argentina: uma anlise dos avanços e recuos”, de Alessandro Warley Candeas [Revista Brasileira de Relações Internacionais 48 (I): 178-213 (2005)]. Esses dois artigos est~o disponíveis no “REL UnB”.
Podcast sobre a Guerra do Paraguai: http://www.radioponto.ufsc.bindex.php?option=com_content&view=article&id=903:tempestade
-no-prata&catid=6:radiojornalismo&Itemid=31
Os livros a seguir são recomendações que recebi e recolhi na Internet, embora eu não tenha feito uso de nenhum deles em minha preparação.
- A História do Brasil no Século 20 (Oscar Pilagallo/Folha de São Paulo) - cinco pequenos livros. Já vi recomendações de que é boa (e curta) fonte de revisão, especialmente para a primeira fase.
- A Idade de Ouro do Brasil (Charles Boxer): sobre Brasil colônia. Não sei se vale muito a pena, o que se tem cobrado do assunto é bem superficial, e um livro geral e básico pode resolver o problema.

- A Identidade Nacional do Brasil e a Política Externa Brasileira (Celso Lafer)

- Autonomia na Dependência (Gerson Moura)
- Cronologia das Relações Internacionais do Brasil (Eugênio Vargas Garcia)
- Da Monarquia à República (Emília Viotti da Costa)
- Dicionário de História do Brasil (Moacyr Flores)
- Diplomacia Brasileira (Lampreia)
- História do Brasil: uma interpretação (Carlos Guilherme Mota)
- História Geral do Brasil (org. Maria Yedda Linhares): ler apenas o capítulo sobre o Império.
- Os Sucessores do Barão (Mello Barreto)

- Relações Internacionais do Brasil: de Vargas a Lula (Vizentini)

- República Brasileira (Lincoln de Abreu Penna): apenas até o fim da Era Vargas.
- Rio Branco: o Brasil no mundo (Rubens Ricupero): pequeno livro sobre o Barão do Rio Branco. Não li, mas acho que pode ser interessante (é bem curto também). Esqueça a biografia do Álvaro Lins, sem utilidade prática para o concurso. Não li nada sobre o Barão que não estivesse no livro de Amado Cervo/Clodoaldo Bueno.
- Sessenta Anos de Política Externa Brasileira (1930-1990) (orgs.: José A. G. Albuquerque, Sérgio
H. N. de Castro e Ricardo A. A. Seitenfus)
- Trajetória Política do Brasil (Francisco Iglesias): segundo recomendações, é um resumo bom de todo o assunto de História do Brasil e pode servir como revisão antes da primeira fase.
- Uma História do Brasil (Thomas Skidmore)
HISTÓRIA MUNDIAL
- Apostilas “Anglo Vestibulares” – já descritas acima. As apostilas estão disponíveis para download no “REL UnB”. Para História Mundial, ler a partir de “Iluminismo”.
- História das Relações Internacionais Contemporâneas (José Flávio Sombra Saraiva): li na Universidade e para o concurso. O engraçado é que, quando o li na Universidade, tendo aula com o próprio Saraiva, não gostei do livro e não cheguei sequer a ler os últimos capítulos. Quando fui ler para o concurso, achei bom. Apesar de não ser completo, acredito ser boa introdução para quem está meio enferrujado no assunto ou, ainda, boa revisão de tópicos gerais para quem já estudou alguma coisa. Recomendo.
- O Mundo Contemporâneo (Demétrio Magnoli): é de Ensino Médio, mas é sensacional. Ótima introdução ao tema. Tanto para PI quanto para HM, é um dos melhores e mais importantes para o concurso. Leia a partir do capítulo 3. Sugiro que você, à medida que ler o livro, faça anotações de tópicos e de datas mais importantes (podem ser muito úteis para a revisão às vésperas da primeira fase). É mais voltado para o período após o início da guerra fria, mas há alguma coisa sobre o período anterior a esse também. De qualquer forma, isso significa que outras leituras em temas não contemplados aqui, como Revolução Francesa e Revolução Industrial, por exemplo, são fundamentais. Para cobrir essa parte da matéria, sugiro o volume 2 do História da Civilização Ocidental, do Burns (citado abaixo).
- História da Civilização Ocidental (Burns, volume 2): não li por falta de tempo, mas já ouvi comentários de que é melhor e mais didático que os livros do Hobsbawm (descritos abaixo). Como é um livro antigo, é necessário complementar com outras leituras. O Mundo Contemporâneo pode fazer isso muito bem. Se tiver tempo, é uma leitura bastante recomendada.
- Manual do Candidato: Política Internacional (Demétrio Magnoli): é bem geral e não passa nem perto de falar sobre todos os temas. Incluí o Manual do Candidato: Política Internacional aqui na lista de livros de História Mundial pela simples razão de o livro ser quase todo igual (ou, para não dizer “igual”, ao menos muito semelhante) ao O Mundo Contemporâneo. Há partes que são simplesmente idênticas (apesar de o autor mudar os nomes dos capítulos). A dica, portanto, é comparar os conteúdos, para ver o que é novidade e o que não é. Preferi O Mundo Contemporâneo (ler apenas do capítulo 3 em diante). O manual possui alguns erros (especialmente, de datas), mas nada que não possa ser facilmente detectado por um leitor atento (e que saiba um pouco de História, obviamente) ou que comprometa o livro como um todo. Se não tiver acesso ao O Mundo Contemporâneo, o manual não é de todo ruim.
Obs.: não confundir! Há outro manual mais novo, de autoria de Cristina Pecequilo, que está descrito abaixo, na parte de Política Internacional.
- Manual do Candidato: História Mundial (Vizentini): sabe aqueles livros que dão vontade de chorar e de abrir o Word, para fazer todas as doze milhões e quatrocentas mil correções de Português necessárias? Então, aqui está um prato cheio. Tenho amigos que começaram a ler e não conseguiram terminar. Não sei como eu resisti até o final, mas devo dizer que está longe de ser uma leitura prazerosa ou primordial. Passe adiante!
- História da Paz e História da Guerra (org. Demétrio Magnoli): os livros são, de maneira geral, bons e rendem boas anotações, embora não sejam imprescindíveis. O História da Guerra está disponível para download no “REL UnB”.
- As “Eras” de Hobsbawm: não li nada do Hobsbawm. Para falar a verdade, só para não dizer que não li nada, li dois trechos curtos de capítulos, sobre Revolução Mexicana e sobre a Revolução Russa de 1905. Foi o suficiente para decidir não ler mais nada. Mil desculpas aos amantes da História e do Hobsbawm, mas cheguei à conclusão de que não tinha tempo para gastar com capítulos longos e, muitas vezes, com informações desnecessárias (ou até mesmo sem as informações que, para o concurso, realmente importam, haja vista a parte de Revolução Mexicana, que não fala nada com nada). Aí alguém diz “mas havia um item em 2011 que era praticamente cópia do Hobsbawm”, e respondo: 1) acho pouco provvel que alguém consiga decorar detalhes como os que foram pedidos; 2) a questão foi tão mal feita que, apesar de ser quase a cópia do livro, copiou errado, e o gabarito ficou errado (ou seja, se a prova fosse de consulta, é provável que eu errasse a questão – pode ser que eu seja muito burro para entender o Hobsbawm também, mas não consegui entender de onde a banca tirou o gabarito louco a questão). Se você fizer muita questão de ler o Hobsbawm, mas muita questão mesmo, sugiro que leia apenas a Era dos Extremos. Se, ainda assim, você quiser ler e fichar todos os quatro livros, saiba que estará perdendo tempo. Todas as “Eras” est~o disponíveis para download no “REL UnB”. Reproduzo, a seguir, uma indicação de leituras que achei na internet, para aqueles que querem ler o Hobsbawm de qualquer maneira. Não sei se a seleção de capítulos é boa, se é muita leitura (provavelmente, sim) etc. De qualquer forma, aí vão os capítulos recomendados no blog “Estudos Diplomticos”:
- Era das Revoluções: cap. 1 a 3, 6, 7, 16;
- Era do Capital: cap. 1, 5, 6, 9, 12 a 16;
- Era dos Impérios: cap. 3 a 6, 9 a 13;
- Era dos extremos: cap. 1 a 8, 11 a 13 e toda a parte III.
- O Longo Século XX (Giovani Arrighi): Só li na universidade, não para o concurso. A recomendação é ler apenas os capítulos 1 e 4 (obviamente, ponderando, de acordo com o edital, o que é realmente importante nesses capítulos). Não acredito que seja indispensável.
- Ascensão e Queda das Grandes Potências (Kennedy): Só li na universidade, não para o concurso. A recomendação é ler apenas os capítulos 4 a 8. Não acredito que seja indispensável.
- Diplomacia (Kissinger): Só li algumas partes na universidade, não para o concurso. Um professor de História Contemporânea da UnB, ex-professor de cursinho preparatório para o IRBr, recomendou a um amigo a leitura dos capítulos 9, 10, 16, 19, 24 a 30. Não acredito que seja indispensável.
- “Wikipédia”: como tudo na vida, é necessário usar com consciência, mas pode ajudar bastante, especialmente para coisas pontuais. Ainda que, como todo mundo não se cansa de repetir, haja muitos erros (nisso ela não inovou: quantos milhares de erros também achamos nos livros da bibliografia?), acho que, desde que não seja sua única ou principal fonte de conhecimento, pode ajudar bastante em História Mundial.
Outras sugestões que recebi (mas não li nem as obras, nem comentários a respeito delas): História da América Latina (Donghi), História do Capitalismo de 1500 a Nossos Dias (Michel Beaud), Introdução à História Contemporânea (G. Barraclough), The Penguin History of the Twentieth Century: The History of the World, 1901 to the Present (J. M. Roberts), O Século XX (org. Daniel Aarão, 3 vol).
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2020.07.20 03:14 i_have_no_heart Assexualidade - um breve resumo sobre esse espectro tão apagado

A assexualidade é um termo relativamente antigo (popularizado nos anos 2000, com relatos de ter sido usado nos anos 80 e 90), mas os debates a respeito dessa sexualidade ainda são muito recentes. Apesar de fazer parte da sigla LGBTQIAP+, poucas pessoas têm conhecimento do seu significado - ou sequer de que o A simboliza o indivíduo assexual.
A luta assexual ainda é bastante ignorada e invisível, e muito pouco se discute a respeito do quão grande é esse espectro. De fato, a palavra "assexualidade" é uma espécie de termo guarda-chuva e engloba diversos e diferentes aspectos dos assexuais.
De modo geral, a assexualidade caracteriza os indivíduos que não sentem atração sexual por nenhum gênero. Entretanto, por ser um espectro, existem diferentes tipos de assexualidade, assim como diferentes níveis de atração sexual. Por exemplo, pessoas que sentem atração sexual de forma rara ou fraca, podendo ser por várias pessoas ou não, são chamadas de grayssexuais.
Outros termos incluem: Demissexual - pessoas que sentem atração sexual apenas depois de criarem laços fortes com alguém. O tipo de laço pode diferenciar de demi para demi, assim como sua abrangência ou especificidade;
Aflux/Afluxo - a atração sexual flutua pelo espectro assexual, podendo ou não existir e mudando de intensidade a cada período de tempo;
Akoi/Lithossexual - se trata da pessoa que sente atração até o momento em que é recíproca, deixando de existir ou diminuindo após isso.
Cupiossexual - este indivíduo não sente atração sexual, mas sente vontade de ter relacionamentos dessa natureza;
Reciprossexual - caracterizada pela atração sexual que existe apenas se o outro demonstrar atração primeiro;
Quoissexual - pessoas quoi não entendem o conceito de atração sexual, ou se entendem, não consideram aplicáveis a si mesmas;
Apulso - é como uma versão mais forte de afluxo, a pessoa apulso sente "pulsos" intensos de atração sexual de vez em quando;
As pessoas assexuais não odeiam sexo, embora existam pessoas indiferentes ou que repudiam. Algumas, inclusive, são favoráveis ao ato, talvez para agradar o parceiro ou por motivos de prazer. Pessoas assexuais tem libido, o que pode variar individualmente, e podem se masturbar. Além disso, pessoas assexuais podem ser românticas, ou seja, sentir atração romântica e participar de relacionamentos amorosos.
Apesar de tudo, o mais importante é que pessoas assexuais não são estranhas, entediantes ou anormais. São VÁLIDAS.
(NOTA: Sintam-se livres para comentar e debater. Para aqueles que desejam adicionar algum termo ou detalhe ao post, basta falar comigo usando a hashtag #addpost1)
-Mutsumi
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2020.07.11 07:06 altovaliriano [Spoilers de Ventos do Inverno] As tapeçarias de Lorde Baelish

Texto original: https://goodqueenaly.tumblr.com/post/169963524283/hi-nina-im-enjoying-your-aoiaf-writings-what
Autora: GoodQueenAly (Nina)
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Está bem claro em A Guerra dos Tronos que o rei Robert gostava de suas tapeçarias e queria lhes dar um lugar de destaque em sua nova residência real:
Quando chegara pela primeira vez a Porto Real para o casamento da irmã com Robert Baratheon, fizera questão de procurar os crânios de dragão que haviam decorado as paredes da sala do trono dos Targaryen. O Rei Robert os substituíra por estandartes e tapeçarias, mas Tyrion insistira, até que encontrou os crânios na úmida e fria câmara subterrânea onde tinham sido armazenados.
(AGOT, Tyrion II)
.
Entrando pelas altas e estreitas janelas da cavernosa sala do trono da Fortaleza Vermelha, a luz do pôr do sol derramava-se pelo chão, depositando listras vermelhas escuras nas paredes onde as cabeças dos dragões ficavam penduradas antes. Agora, a pedra encontrava-se coberta por tapeçarias que mostravam vívidas cenas de caça, cheias de azuis, verdes e marrons, mas, mesmo assim, parecia a Ned Stark que a única cor existente no salão era o vermelho do sangue.
(AGOT, Eddard XI)
.
Mas Mindinho cumprira a promessa; ao longo das paredes, à frente das tapeçarias de Robert com suas cenas de caça e batalha, as fileiras de mantos dourados da Patrulha da Cidade estavam rigidamente em sentido, cada homem com a mão agarrada à haste de uma lança de dois metros e meio de comprimento terminada em ferro negro.
(AGOT, Eddard XIV)
Observe que, em nenhum momento, os leitores ficam sabendo o que realmente está representado em qualquer uma dessas tapeçarias, além de “cenas de caça” em um sentido geral. É provável que essas tapeçarias fossem propriedade pessoal de Robert (ou seja, pertencendo a ele como Robert Baratheon e não como Senhor dos Sete Reinos), tanto porque são descritas como "de Robert" quanto porque faria sentido para Robert, um entusiasta da caça, ter uma coleção de tapeçarias de caça. (Essas também não são as únicas tapeçarias na Fortaleza Vermelha: quando Ned se reúne com o pequeno conselho, ele observa que “as As paredes estavam cobertas por tapeçarias de Norvos, Qohor e Lys”). No entanto, nunca é especificado se essas tapeçarias de caça eram ou não especificamente tapeçarias de caça Baratheon ou pertenciam aos Durrandon antes deles, ou eram de algum lugar ou de outra pessoa.
Qualquer que seja a sua origem, quando Robert morre e os Lannisters assumem o poder total na capital essas tapeçarias não demoram a sofrer:
As paredes da sala do trono tinham sido desnudadas, removeram-se as tapeçarias com cenas de caça que o Rei Robert adorava, amontoadas a um canto, numa pilha desordenada.
(AGOT, Sansa V)
A partir daí as tapeçarias desaparecem da história por um tempo. Eles só reaparecem em O Festim dos Corvos:
– Lorde Baelish procura nossa ajuda? – Harys Swyft quis saber.
Por enquanto não. Na verdade, parece bastante despreocupado. Sua última carta menciona os rebeldes apenas de passagem antes de me implorar que lhe envie umas velhas tapeçarias de Robert.
(AFFC, Cersei IV)
Mindinho mais tarde confirma que ele fez tal pedido:
Petyr riu.
Talvez o faça. Ou, melhor ainda, à nossa querida Cersei. Embora não devesse falar mal dela, visto que vai me enviar algumas magníficas tapeçarias. Não é bondade da parte dela?
(AFFC, Alayne I)
Supondo que essas tapeçarias sejam as mesmas que antes estavam penduradas na sala do trono – e essa é a explicação mais provável, uma vez que a descrição delas como “velhas tapeçarias de Robert” se encaixa em sua última menção como sendo removidas “amontoadas a um canto”, presumivelmente daí em diante esquecida em um depósito –, podemos nos perguntar por que Mindinho fez tal pedido.
Mindinho não é um homem que normalmente faz algo sem motivo ou sem expectativa de ganho posterior. Não é irracional que ele tenha alguma coisa outra motivação, pois obviamente ele não precisaria delas para decoração pessoal – não apenas porque Mindinho quase certamente não ligaria, mas porque, no mesmo capítulo, Sansa passou com os Senhores Declarantes por “uma dúzia de magníficas tapeçarias” no Ninho da Águia.
O que seria essa motivação é onde a teorização realmente entra – embora seja melhor dar algumas explicações mais simples primeiro.
Ao mencionar "apenas brevemente" os Senhores Declarantes antes de fazer o que parece ser um pedido tão inócuo, Mindinho pode estar tentando desviar a atenção de Cersei da situação política do Vale.
Se ele está tão confiante a ponto de se concentrar mais em tapeçarias do que em rebeldes, o governo de Cersei não teria motivos para interferir em seu manejo do Vale (ou, consequentemente, o destituir ou descobrir sobre "Alayne Stone"). De fato, o movimento pode ser comparado a Mindinho testando Sansa ao recitar a linha de sucessão Arryn e adicionar o comentário “irônico” sobre Elys e Alys.
O pedido também poderia servir para dar um sutil aviso a qualquer inimigo político de Mindinho no Vale no futuro. Vendo tapeçarias esplêndidas que uma vez decoraram a sala do trono no reinado do rei Robert, qualquer espectador saberia que Mindinho tem o apoio do regime de Baratheon-Lannister em Porto Real – um aviso sutil sobre a origem de seu poder.
O capítulo "Alayne I", de Os Ventos do Inverno, no entanto, nos fornece mais uma explicação:
Alayne desceu correndo a escadaria da torre, entrando na galeria com colunas nos fundos do Alto Salão. Abaixo dela, criados montavam mesas de armar para o banquete da noite, enquanto suas esposas e filhas varriam os velhos juncos e espalhavam novos. Lorde Nestor mostrava a Lady Waxley suas tapeçarias premiadas, com cenas de caça e perseguição. Os mesmos painéis haviam outrora haviam estado pendurados na Fortaleza Vermelha de Porto Real, quando Robert sentava no Trono de Ferro. Joffrey mandara retirá-los, e eles haviam definhado em algum porão até que Petyr Baelish providenciou para que fossem trazidos ao Vale como um presente para Nestor Royce. As tapeçarias não apenas eram lindas, como o Alto Intendente se deleitava ao dizer para quem quisesse ouvir que haviam pertencido a um rei.
(Tradução: Gelo & Fogo)
Esta é uma explicação perfeitamente razoável sobre o que Mindinho pretendia que acontecesse com as tapeçarias. Afinal, ele deixou bem claro para Sansa (ou melhor, Sansa deduziu e Mindinho confirmou) como ele havia conquistado Nestor Royce ao lhe conceder os Portões da Lua (AFFC, Sansa I).
Mindinho percebeu com facilidade que Nestor Royce era ao mesmo tempo: 1) um homem melindroso com sua ancestral e aristocrática honra do Vale; 2) alguém que ambicionava ser tão importante e bem quisto quanto seu primo Bronze Yohn.
Ciente das tapeçarias e de seu estado lamentável após a morte de Robert, Mindinho teria sido inteligente o suficiente para ver que Cersei não daria à mínima para o que aconteceria com elas e pediu as tapeçarias a fim de subornar, ainda mais, um potencial inimigo no Vale (Nestor Royce) com algo que lhe agradaria.
O pedido não custaria nada a Petyr, mas conquistaria um lugar no coração de Nestor que nenhuma soma de dinheiro poderia comprar. Nestor Royce sempre se lembraria de que Petyr Baelish lhe deu tapeçarias adequadas para um rei, o que é muito mais do que o primo Yohn ou o outro Senhor Declarante já fizera. Este é um movimento inteiramente adequado à estratégia de Mindinho no Vale, explorando fraquezas inerentes para desfazer inimigos e conquistar aliados (seja através de seu hábil manuseio dos Senhores Declarantes no Ninho da Águia – via @poorquentyn –, comprando a dívida da muito orgulhosa e muito pobre Lady Waynwood ou arranjando o casamento de Lyonel Corbray).
Mindinho tira essas tapeçarias de suas mãos, reafirma a boa relação entre ele e Nestor Royce (o que não é uma má ideia, já que Mindinho estará pondo em ação a fase principal de sua trama com Sansa na recém-outorgada sede dos Royce e que a duvidosa legalidade da assinatura de Mindinho na concessão dos Portões “não [...] passou despercebida” a Lord Nestor), e Cersei não percebe seus planos.
Porém... seria possível que as tapeçarias tenham um significado maior do que este? Ahm, talvez.
Se elas acabarem tendo mais significado do que este, acho que será porque as tapeçarias poderiam (ênfase no "poderiam") retratar Baratheons caçando. Ou seja, senhores e filhos Baratheon, de olhos azuis e cabelos pretos.
Quando Mindinho romper definitivamente com o Trono de Ferro, declarando que tem Sansa Stark e chamando os cavaleiros do Vale para reconquistar o que é dela por nascimento, ela pode (novamente, ênfase no “pode”) apontar para os Baratheons nas tapeçarias e mostrar que o rei no Trono de Ferro não é um verdadeiro Baratheon, mas uma abominação nascida do incesto, indigna da lealdade dos senhores da Vale.
Repito, eu não diria que isso necessariamente acontecerá. O fato de nunca termos sido informados sobre quem está nas tapeçarias, fora caçadores genéricos, dificilmente cria a expectativa de que algum enorme mistério genético será (literalmente) desfraldado por eles. Mas existe um chance, ainda que remota.
Eu não apostaria meu dinheiro nisso (nem mesmo dinheiro falso de especulação), mas se acontecer, bem, não pensarei que veio totalmente do nada.
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2020.07.06 22:49 taegi_sanbr Meu primeiro beijo

Olá luba,luna e pessoas que estão lendo meu nome e kamilly e sou de Manaus vou contar uma história que me lembrei do nada normal da vida
Eu tinha 10 anos tava no 5°ano eu estava fazendo um curso que tinha aqui em Manaus para nosso último dia nesse curso o meu professor fez um acampamento no sítio dele ficamos só três dias(que parecia um ano)nós fazemos um monte de coisa que não queria ter feito com um exemplo matar uma galinha para gente comer e também ir o caminho andado não andando o caminho inteiro mas tipo ele parou o ônibus em uma avenida e nós fomos andando chegamos de noite (foi o pior dias da minha vida Jesus amado mas tudo bem)Ah esqueci de falar que eu fazia um curso militar já que estudava em colégio militar então eles deixaram um monte de criança que no máximo uns 9 e 13 anos no mato até que foi bem legal O problema é que tinha as pessoas do 7° ano eles falavam para as pessoas mais novas que eles mandavam em tudo isso me deixava muito incomodada eu sofri muito bullying infelizmente no último dia eles fizeram 5º ano se juntar com sétimo que fiz dupla com uma garota até aí tudo bem vou chamar essa menina de 'loli' eu e a Loli fomos pega fruta para gente fazer nosso café da manhã ela dizia que não queria ficar perto de pessoas mais novas porque dizia que as pessoas do sétimo ano iam olhar ela de cara feia isso me deixa um pouquinho triste já que ela era bem legal a gente chegou lá na cozinha e corta as frutas quando uma das amigas dela veio e dicio"já arranjou alguém para pegar"disse isso olhando para mim isso me deixou completamente envergonhada eu era muito eu não entendi o significado de "pegar" minha mãe sempre falou que eu não tinha que pensar nisso e eu não pensava mas eu queria ser amiga dela e ela aceitou era muito legal você é amiga dela as meninas do sete do sétimo fizeram uma festa do pijama e já que eu virei amiga da loli elas me convidaram fazer uma festinha do pijama quando eu cheguei lá elas queriam brincar de verdade desafio nós brincamos e brincamos até para mim e uma amiga da Loli Claro que eu não queria ser desafiada já que eu percebi que elas faziam desafios muito pesados então escolhi verdade ela disse"é verdade que loli gosta de você"eu respondi que não porque eu não sabia quando eu olhei para loli e ela tava com uma cara muito triste e isso me deixou desconfortável sabe eu nunca mexi nesse assunto sexualidade eu nunca gostei de ninguém eu sempre fui na minha otaku fedida eu e meus animes só isso ninguém gostava de min então isso era muito estranho pra min quando acabou a festa eu eu tentei para minha barraca mas a loli me puxou pra um cantinho e me disse "vc não e bi ou lésbica" eu disse que não sabia já que como eu disse não me perguntava sobre minha sensualidade quando eu disse isso ela tá com meus lábios isso foi muito estranho porque foi meu primeiro beijo então dentes foram presentes quando ela terminou de me beijar isso eu falei"desculpa eu não posso desculpa"daí eu nunca mais falei com ela sair daquela escola no 6° ano e foi para outra eu só vi ele esse ano quando fui pro 7° mais ele não olha na minha cara
Então essa história bem normal eu acha luba-sempai me note
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2020.06.30 10:51 alteregoshadow Resumo do resumo preguiçoso do bug interno

A formatação vai ficar um lixo por motivos de bug No momento estou tentando bater meu recorde de 72h em jejum, enquanto aproveito mais uma ótima madrugada sozinho na cozinha escura ouvindo o tic tac do relógio de parede comprado na lojinha de 1.99 Até que me lembro de quando o meu eu do passado chorou na minha frente, e eu não consegui resistir e comecei a chorar também Ele me disse que tinha medo de sentir dor. Dei um abraço bem forte nele, falei pra ficar tranquilo. Já passamos por tanta dor juntos Já jogamos airsoft na linha de frente tomando tiro pra caralho, já caímos morro abaixo, já comemos três pizzas e tivemos um mini ataque cardíaco... Sei lá, há um tempo atrás eu prometi a ele que ninguém nunca mais iria mexer comigo de graça Eu ia deixar de ser "bom em nada", e eu ia deixar de ser só mais um saco de pancada (é sempre muito fácil transformar uma criança num saco de pancada, né?) Enfim, minha jornada continuava. O meu eu da época das sombras foi recomendado por um anônimo de fórum da ""deep web"" a fazer academia e se livrar dos vícios. Meu eu daquela época nunca fez isso, tive que fazer por ele Calma... por que estou digitando isso aqui? Eu nunca gostei desse lugar. Acho a comunidade brasileira do Reddit muito chata e fresca. Mas eu também sou chato e fresco kkkk talvez exatamente por isso esteja aqui Resolvi criar uma conta agora, entrava só como visitante de vez em nunca, até pq nunca tem nada de interessante aqui. É quase sempre os mesmos tópicos falando ou de relacionamento ou solidão Mas esse não é o primeiro tópico que faço aqui... Já fiz um falando sobre como estou fazendo minha carta de suicídio kkkkk A carta de despedida (o suicídio lá nem é explícito) é apenas um pedido da minha sombra Não quero me matar pelo menos não por enquanto Muito leviano da parte de vocês redditors ao fazerem aqueles comentários no meu post. Mas não os julgo tbm, não há muito oq esperar de uma comunidade chata e fresca kkkkkk Lembrei em 2018 quando tive um amigo virtual nos tais fóruns da ""deep web"" (* som de fantasminha genérico *), ele era bem carinhoso comigo, já me deu um jogo de presente na steam; porém certo dia eu forjei minha própria morte, e passei a ignorá-lo completamente, sinto-me um cusão por ter feito isso, pelo menos é cômico voltar de tempos em tempos naquele fórum com uma conta fake e ver que o pessoal lá realmente acha que eu morri... meio sinistro na vdd Mas ainda assim sinto que não deveria ter feito isso, fico com a consciência pesada muito facilmente, lembro-me até hoje de quando roubei uma balinha no mercadinho do seu zé da esquina, tinha uns 12 anos; ou então no primeiro ano do ensino médio quando estava zuando uma amiga que tirou nota vermelha em física, mas ela começou a chorar... ver aquilo partiu meu coração, e para minha redenção decidi que seria justo ajudá-la a recuperar a nota, afinal além de tudo eu tinha as maiores notas de física da turma. Assim que ela recuperou a nota, voltei a zuar ela kkkkk mas nunca deixou de ser minha amiga por isso; uma vez já escreveu bem grande na contracapa do meu caderno de matemática "alteregoshadow, eu te amo". Guardo esse meu caderno até hoje (tudo bem que alguns dos meus amigos resolveram encher a página de desenhos de pinto, porém a frase ainda está lá) Eu fui meio pestinha na época de escola, em especial nos últimos anos do fundamental, uma vez eu fiquei acumulando saliva na minha boca por horas e depois soltei toda a cachoeira na mesa do meu amigo que sentava atrás; ou quando eu ficava pegando um monte de barata e lagartixa morta pra colocar nos estojos das meninas Sabe, sinto falta dessa época. Nem muito pelo motivo clichê de época da escola, simplicidade e tal, mas mais pq acho que foi a época em que eu fui a melhor versão de mim Um amigo meu mora num lugar bem isolado, tipo um sítio mesmo, mata densa e tal. A gente ia lá vez ou outra pra brincar, e era bem dahora. Esperávamos chegar a noite pra fazer o clássico pique esconde na floresta escura. Eu era conhecido por ser um dos melhores, não me encontravam nunca, até pq eu não tinha medo de me deitar e rolar no mato; saía correndo engolindo teia de aranha, lesma, pisando em cobra, enfim Era conhecido também por ser muito bom nos videogames e tirar as maiores notas da sala Aquilo definitivamente era a concretização da promessa que fiz ao meu eu de um passado ainda mais distante: disse que ia estudar mais, treinar mais, ser mais sociável E tudo isso aconteceu. Fiquei mais inteligente, mais forte, mais ágil, e do aluno mais "fantasma" da escola me tornei o líder de um grupo que reunia basicamente todos os garotos da oitava série. Ninguém mexia comigo, mas também nunca fui autoritário, zuava todo mundo e era zuado de volta. Certa vez a turma se uniu contra mim e jogaram todo meu material no lixo kkkkkk ri muito no dia Mas depois disso... sei lá Passei a frequentar academia, vez ou outra estudava um pouco, mas nada na mesma intensidade ou emoção A real é que eu passei toda minha infância sozinho na vdd. Meus pais trabalhavam o dia todo e meu irmão mais velho estudava em tempo integral. Na época teve um grande surto de dengue na minha cidade, por todo lado era cartaz falando da importância de tomar cuidado, afinal, dengue MATA. Aquilo me deixava demasiadamente pensativo, como assim morte? Eu nasci pra morrer? O que vem depois? Todo dia era a mesma coisa, chegava da escolinha e passava o dia inteiro pensando em morte, isso com uns 5 anos de idade. Pouco tempo depois, a situação piorou quando começaram as histórias de fim do mundo. Lembro que até chorava de tanto pensar nisso. A primeira vez que pensei na possibilidade de suicídio tinha uns 8 anos. Também nessa época foi quando presenciei um acidente em que um caminhão passou bem por cima da cabeça de uma menininha de uns 2 anos. Aquilo me marcou muito, e quando eu cheguei em casa, esperei todo mundo dormir para ligar o computador e pesquisar "fotos de cérebro", "fotos de acidente" e etc. Acabei parando em vários blogs e fóruns de gore (que eram bem mais comuns naquela época). Ficava assustado ao ver a fragilidade humana nos acidentes e pasmo ao ver a frieza de alguns para torturar outras pessoas por motivos torpes. Ainda assim, assistir gore acabou se tornando uma prática que levo até hoje (com menos intensidade), não por ser um psicopata que gosta de ver a dor e sofrimento alheio mas pq acaba me lembrando das minhas "origens", pensar sobre a morte e etc (todo mundo já deve pelo menos ter passado por uma situação em que sabe que vai se frustrar ou enraivecer mas mesmo assim segue em frente, é mais ou menos isso). Para morrer basta estar vivo, foi nisso que me toquei na época Posteriormente, com 10 anos, foi o momento em que fiz aquela promessa para mim mesmo. Não darei muitos detalhes aqui, e oq aconteceu logo depois já contei... Mas e após tudo isso? Bem, depois que o meu "auge" se foi, eu percebi que todos esses pensamentos ruins na vdd não sumiram, apenas estavam se escondendo. Quando voltaram, foi de uma vez. E ao invés de tentar lidar com isso de uma maneira normal, eu simplesmente achei que seria uma boa ideia dividir minha mente em partes. A maioria de meus alter egos são na verdade versões de eu mesmo porém em diferentes épocas. Porém também tem a minha sombra (pra quem conhece o conceito de Sombra do Carl Jung talvez entenda melhor isso). E oq aconteceu foi que, eu acabei criando egos que brigam entre si constantemente, deixei todas as minhas características positivas a um ser superior, idealizando um eu melhor que eu, um eu que agarrou todos seus potenciais e os explorou ao máximo, uma pessoa que eu nunca conseguiria ser porém dizia ser no mundo internético afora. Estava mentindo para mim mesmo Sabe, cada um dos meus alter egos têm uma qualidade. Um é bondoso, tem o inteligente, o criativo... porém parece que o que sobrou para mim foi apenas loucura. Poxa, eu já fui cada um deles, por que não consegui pegar pelo menos uma parte boa de cada um? Parece que eu regredi. O certo não seria, ser uma pessoa melhor a cada dia? Se eu ao menos pudesse juntar a bondade, criatividade, inteligência, e etc, eu definitivamente iria orgulhar o meu eu do passado, mas ao invés disso, estou apenas enganando ele e a mim mesmo, colocando todo meu potencial num alter ego superior que me consome a cada dia É complicado, por um lado tem a promessa que fiz que me mantém vivo, querendo cumpri-lá. Mas por outro, eu vejo eu mesmo desprovido de significado, tenho uma vida boa, bons amigos, situação financeira estável, minha família não gosto tanto mas relevo, enfim, mas parece que nada me é suficiente. Sinto que a vida é só um tédio extremo mesmo, até em momentos que era pra eu me divertir estou entediado, ou então quando de fato me divirto, depois o sentimento de vazio vem ainda maior, não dá pra explicar com palavras, o que posso dizer é que sou extremamente curioso, o que me atrai ao suicídio é o fato de ser uma morte planejada, eu poderia saber quando e como morrer, preparar uma carta de despedida, fazer uma "queima de arquivo" e etc, mas por outro lado, eu ficaria extremamente agoniado em não saber qual seria a reação das pessoas diante minha decisão. É literalmente a curiosidade o que mais me mantém vivo, e por vezes, a curiosidade de saber como seria meu suicídio é a predominante E não falo de tristeza ou depressão, sei lá eu nunca fui atrás de um profissional, mas eu sinceramente não acho que tenha depressão, no máximo TDAH pois de fato sou muito hiperativo e perco o foco muitas vezes, tropeço algumas vezes e (não sei se tem muito a ver) às vezes tenho a sensacão de que estou girando ou caindo, principalmente quando eatou sentado ou deitado em um ambiente escuro, mas assim, eu acho que a vida, especialmente hoje em dia e ESPECIALMENTE para pessoas como eu, é assim mesmo. Eu não preciso estar depressivo para sentir como a vida realmente é, e sinceramente tô cada vez menos ligando pra isso. Eu aprendi desde muito cedo a lidar com silêncio, solidão e tédio(esse é o mais difícil), além do mais tenho imaginação fértil então o meu maior passatempo (entretenimento, hobby chame como quiser) é só me perder na minha mente mesmo. Poxa, tem um universo inteiro dentro de mim para ser explorado, não quero me preocupar com coisas mundanas. E pra quem me critica, dizendo que isso é fugir da realidade, pensem que TUDO (ou quase tudo) que o ser humano faz no tempo livre é exatamente para fugir da realidade. A vida real é meio chata né kkkkkk. Jogar videogame, assistir filme/série que seja, jogar rpg de mesa, ler um livro, ouvir um audiobook ou podcast ou até mesmo uma festa com bebida e música alta, tudo isso serve para as pessoas fugirem da realidade, mas diferente do que eu faço, já que eu fujo da realidade mas pelo menos não fujo de mim mesmo Eu fujia de mim mesmo no último ano do ensino médio, sabe né, aquele ano que ngm liga. Ia e voltava pra escola a pé, e sempre passava na lojinha pra comprar chocolate, me viciei naquilo. Sempre comia no caminho e colocava a embalagem na mochila. Até que resolvi contar quantas embalagens tinham e pasmém, quase 80, isso em um pouco mais de 2 meses Sempre tive um mundo onírico muito vivo, desde criança bem pequena, sinto os meus sonhos de fato, lembro quando tinha uns 6 ou 7 anos sonhei que um guerreiro samurai atravessou a longa katana no meu peito e foi uma das maiores dores que senti. Tento às vezes praticar sono induzido, dou risada dormindo, falo dormindo e por vezes até escrevo ou desenho dormindo (não sou sonâmbulo). Comecei a perceber que boa parte dos meus sonhos envolvem meus alter egos, e na maioria das vezes estão em um ambiente fantasioso (como uma mansão ou castelo mal assombrado, cemitério, labirinto e etc) e precisam trabalhar juntos para resolver os puzzles e escapar Na maioria dos sonhos eu não sou o protagonista ou sequer participo, apenas observo os meus egos, em terceira pessoa Muitas das vezes a minha sombra mata os meus egos nos finais dos sonhos É muito simbolismo envolvido, ainda estou pensando sobre isso, pode ser uma autosabotagem (suicídio) ou então algo do tipo matar o velho para manter o novo, eu não sei Se tem uma coisa na qual eu posso ser grato, é por ter tido sorte para arranjar bons amigos. Sei que muita gente (em especial desse sub) deve ter mais dificuldades com isso, eu por outro lado, apesar de nem precisar tanto pois me dou bem comigo mesmo e na maioria dos momentos até prefiro estar sozinho, tive bons amigos. Às vezes é bom ter uma boa companhia. Aquele meu grupo da oitava série que falei anteriormente, mantenho contato com quase todo mundo, ainda considero sim porém cada um seguiu seu rumo e não tem nada de errado ou anormal nisso. Acho que muita gente que sempre teve dificuldade em fazer amigos cai no erro também de romantizar demais a amizade, do tipo "seremos amigos para sempre" ou sei lá mais oq. É completamente natural que com o tempo o afastamento ocorra, não precisa se sentir mal se as conversas não fluem mais Inclusive uma vez mandei uma mensagem para um amigo não se preocupar comigo pois em no máximo 5 anos provavelmente não iríamos mais nos falar de qualquer maneira, e ele respondeu: "Como assim com certeza continuaremos a nos falar e jogar Airsoft e RPG por muito anos a vir!". Admito que quase chorei lendo isso, e me senti fraco Mas continuando, em especial na internet, existe muito isso. Às vezes vem alguém desabafando por não ter amigos, recebe várias mensagens de pessoas para conversar, porém essas mesmas pessoas depois dão o famoso "ghosting". Olha, isso é bem previsível na verdade. Apenas faça a si mesmo a seguinte pergunta: "Quantos de seus amigos virtuais seriam seus amigos se você os conhecessem no mundo real, ao invés de no mundo virtual?". É apenas um questionamento, mas acho interessante. Pois é muito fácil falar que é amigo de qualquer um na internet Inclusive, entrei num servidor público de discord, daqueles só pra conversar e tal, e pqp parece que é impossível achar um servidor de discord em que a userbase não esteja repleta de adolescentes genéricos que têm problemas de autoestima e passam o dia jogando videogame ou assistindo filme/série/anime, tinha mto pré adolescente tbm de idade entre 11 até 14 anos Não ficava muito a vontade lá, as regras tbm eram muito vagas, não podia ser ofensivo no chat mas não estava definido oq era ofensivo pra staff. Levei um aviso simplesmente pq um adm lá quis, ainda não entendi que regra quebrei, ele provavelmente só estava de mal humor mesmo sla Tinha um canal de desabafo que só podia falar "coisa séria", aí uma vez falei sobre como fico puto por comer muito chocolate e queria mesmo era encher minha perna com tiros de airsoft, aí levei outro aviso por não respeitar a seriedade do canal. Sla né, autosabotagem não é uma coisa séria pra ele? Foda, muita arbitrariedade. Não tem como arranjar um servidor público decente. Sempre tem uma userbase majoritariamente imatura, joguinhos e eventos sem graça e confusos, enfim Mas oq eu queria fazer naquele servidor, eu fiz aqui. Provavelmente não da melhor maneira, certamente não da maneira como eu imaginava, mas está feito Ficou confuso e grande pra caralho lol
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2020.06.28 23:08 Alfre-douh Consulta

Após fazer uma rápida revisão dos apontamentos da sessão passada, olho enfim para o Luís. É um olhar treinado. Um olhar associado a uma postura que vive nos pequenos pormenores: nos livros académicos na prateleira, na cortesia omnipresente provocada pela máquina do café, na ergonomia da poltrona que lhe indico, no meu sorriso e olhar que treino para serem afáveis. A ideia é precisamente criar um conforto contundente e desarmar a insegurança.
Tudo isto é pensado. O brio com os detalhes é a matéria-prima para eu conseguir fazer aquilo que me sinto bem a fazer. Estou-me a lixar para defender uma ideia de profissão. O que me move é a capacidade de ter influência positiva na vida de alguém. A minha abordagem parte por alicerçar a tal relação de confiança: ouvir, reforçar pormenores que pareçam importantes, ouvir, colocar uma questão retórica, e ouvir. Na maior parte das vezes, não necessito de trazer à baila aquilo que estudei...Àqueles que se querem enquadrar nalguma teoria, dou parte das correntes psicológicas em que me baseio e insisto que o mais importante não é ser-se algo hermético, mas ser-se honesto com a individualidade preciosa que se é.
"...tenho criado este hábito de olhar para as minhas mãos. Não em vaidade, não. Não é com aquela forma de olhar de perspetiva estética...Normalmente, quando alguém faz isso os dedos estão hirtos e há tensão na palma da mão. O meu olhar carrega uma outra perspetiva, um outro significado... Acho que de certa forma, talvez mais clássica (digo clássica em alusão às estátuas romanas ou gregas em que as mãos nunca estão fletidas), quero ver nelas o efeito do meu esforço. Quero ver um pouco dessa relação de causa e efeito.
Quando olho não estou a analisa-las. É uma espécie de quiromancia. Analiso nos traços delas a erosão da alma em consequência do que passei e passo."
O Luís chegou até mim dizendo-se deprimido. Filho mais novo de um casal com dinâmicas mal articuladas e com laivos de toxicidade, e irmão de uma workaholic. Leitor ávido, sem grande interesse por música. Amizades dos tempos da escola secundária e um ou outro colega do curso de Engenharia Informática. Nas palavras do próprio "um despojo amoroso" de uma rara relação, altamente idealizada, que não correu bem.
Tem uma forma de falar que permite denotar inteligência e idealização de relações. Algo extremamente quando comum atentando ao padrão disfuncional que teve como exemplo.
"Em que tipo de situações, e com que frequência, isso que descreve acaba por acontecer?" devolvo-lhe.
"Acontece sobretudo quando me abstraio do que estou a fazer. A Inês costumava dizer-me que eu tinha uma forma tola de lhe tocar. Ela achava a minha postura das mãos divertida..." diz ele enquanto observo o que parece um toque nervoso, esfrega a unha do polegar na extremidade do dedo indicador.
"Isso provocava-lhe desconforto?" digo depois duns breves segundos, em que quero provocar-lhe sobre a reflexão que fez.
"Sim... Embora não me considere muito expansivo. Sinto que de engraçado passei a algo desagradável e incómodo. É difícil explicar..."
Sinto-me entediada. Levo o trabalho muito a sério e por isso sei bem que o mais importante é saber esquecer que o tenho. O Luís sente-se único, mas é gentil em relação à dor que sente: não quer que eu a sinta. Sente-se vulnerável e fraco por não a conseguir gerir. Este tipo de comportamento é, em si tão comum, que é o belo do pão com manteiga da psicologia. É a dor de alguém bom, que vai ficar bem. Só e apenas isso...
O que devo fazer com este recorrente tédio?
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2020.06.10 05:00 mary_jonnie NA PÁSCOA NÓS USAMOS... MARROM!!

Olá luba, editores, gatas, possível convidado e turma que está a ler. Hoje eu resolvi compartilhar uma das trágicas histórias de minha infância. (sou paraense, então se quiserem interpretar é só ir falando "égua" ao decorrer do texto)
Bom, tudo aconteceu em 2013, eu tinha 8 anos e acabado de mudar de escola, lá até tinha algumas crianças que eu conhecia, mas como não era próxima acabava passando muito tempo sozinha.
Chegando a época da páscoa minha escola resolveu fazer uma festinha para as crianças, e como era em comemoração a ressurreição de cristo nós tínhamos que ir com roupa branca ou vermelha.
Quando o dia chegou, eu me arrumei toda, tava até usando uma macacão branco cheio de brilho, fui pra escola e chegando lá nós fomos direto pro pátio pq eles iam falar um pouco sobre o significado da data, bom, acho que posso dizer que depois disso foi só gritaria e dedo no cu.
Como a bela peste esfomeada que eu era (e ainda sou) enchi o bucho de chocolate hidrogenado e suco de uva, e como nada nessa vida é fácil, o que eu comi não me fez muito bem.
Comecei a sentir muito enjou e resolvi sair do meio de todo mundo e fui pra uma área aberta, onde só tinha uma árvore, lá eu sozinha sem ter a quem pedir ajuda comecei a passar mais mal ainda, e foi aí que eu comecei a vomitar roxo... o suco de uva de pacote definitivamente foi o culpado.
Eu toda vomitada comecei a sentir muita dor de barriga e aí... eu me caguei, sim, EU ME CAGUEI, entrei em desespero pq não queria que alguém me visse toda cagada e vomitada, então decidi chamar minha irmã mais velha que também estudava na escola (não lembro como encontrei ela).
Só sei que no final na manhã eu tava na porta da diretoria esperando minha tia me buscar e voltei pra casa agarrada no banco na frente sem sentar pra não espalhar o cococo, e ainda jurando que ninguém tinha percebido que eu tinha me cagado.
Ficou meio grande mas eu não conseguiria excluir nada dessa história, espero que tenham gostado e se divertido com a minha desgraça, me desculpem qualquer erro, é isto, beijos <3 (evitem encher até o cu de suco de sódio as 7h da manhã)
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2020.06.07 20:27 Milena_maria O porque eu sou odiada pela minha família

Olá Luba, editores, possivel convidado e turma que está a ver. Minha história é sobre o porque a família do meu pai me odeia, sem nenhum motivo plausível.
O anjo caído
A minha avó (mãe do meu pai) por algum motivo sempre odiou tudo e todos da igreja católica, falava sempre que adorar imagens era uma imbecilidade e mais outras coisas. Ela criou todos os 5 filhos acreditando no poder dos deuses e nos milagres do universo. Como um grande adolescente rebelde meu pai aos 15 anos resolveu enfrentar a mãe dele porque eles brigaram, então meu pai foi para a igreja e ele começou a frequentá-la, e foi lá que conheceu a minha mãe, uma verdadeira carola, eles começaram a namorar escondido da mãe dele porque ela jamais deixaria ele namorar com alguém da igreja. Depois de 2 anos ele contou pra família e obviamente todo mundo achou um absurdo, eles casaram alguns anos depois e só 1 irmão do meu pai foi, mais ninguém. 1 ano depois minha mãe engravidou e foi quando eles voltaram a falar com a minha avó porque ela aceitou parar com toda a besteira pra receber bem o bebê e nessa mesma época minha tia (irmã do meu pai) também estava grávida, mas ela falava que não queria ter um parto no hospital, que ela não precisava de pré natal e outras babozeiras, só sei que o bebê dela devia nascer uma semana antes do da minha mãe (no caso eu) e ela ficou dando pití porque queria esperar mais tempo pra ele nascer, porque ela não queria filho escorpiano, tem base? Ela teve que fazer um parto de emergência porque não podia mais esperar, mas infelizmente o bebê não resistiu. 1 dia depois eu nasci e quando a minha mãe voltou da maternidade ela foi praticamente linxada da casa da minha avó, todo mundo estava dizendo que ela tinha jogado uma praga na minha tia por isso o bebê dela morreu (eles não eram capazes de raciocinar, e deduzirem por eles mesmos que a culpada era a minha tia por ter demorado a fazer o parto), resumindo, meus pais tiveram que se mudar porque TODOS OS DIAS alguém ia até a casa deles pra xingarem minha mãe de coisas completamente absurdas. Enquanto criança eu sempre quis saber porque não conhecia ninguém da minha familía paterna além do meu tio (o único que ficou do lado dos meus pais sempre) minha mãe só me contou quando eu fiz 17 anos, e eu com ódio e muita curiosidade fui em uma das "reuniões" que eles faziam pra falarem sobre os astros o universo, era tipo uma reunião sobre o horóscopo, pra mim era bem bizarro mas ok. Cheguei lá e fui muito bem recebida falei que meu nome era Milena (realmente é: Maria Milena, porém eles sabiam que meu nome era só Maria porque foi o que minha mãe disse quando eu nasci) eles ficaram falando o quão lindo era o nome o significado e talz, mas no final da reunião eu falei quem eu realmente era e como todos lá estavam me tratando super bem eu nem imaginei que eles me renegariam na minha frente, me falaram um monte de coisas mas o que eu guardei foi: "Sempre soube que você era um anjo caído em forma de humano, os deuses do submundo te enviaram pra destruir nossa família" na hora que me disseram isso eu caí na gargalhada porque achei que era pegadinha e na hora me mandaram pra fora da casa. Cheguei em casa contei pra minha mãe, rimos muito. Bom essa é minha história, não sei se é interessante o suficiênte pra estar em um vídeo mas gostei da esperiência de compartilhar. Abraços ♡
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2020.06.03 01:25 epilef_backwards Sobre Boku no hero e shounens.

Um objetivo sem planos é chamado de delírio.
Um dos desafios ao revisar um shounen é entender até que ponto podemos relevar certas coisas tendo em mente que o anime foi feito apenas para vender. A história é bem óbvia: os shounens explodiram na época de 90 com Naruto, DBZ, CDZ, bleach, entre outros, fato que fez que muitos outros shounens começassem a serem lançados seguindo os princípios dos que estavam em alta. Isso significa que, embora os primeiros shounens famosos já usassem clichês, tais clichês ainda não eram clichês no mundo dos animes porque não haviam tantos animes que o usassem. Em outras palavras, é por causa do sucesso estrondoso desses shounens que boa parte dos seus sucessores utilizaram as suas principais características (personagens piadistas, tramas simples porém que podem ser prolongadas por tempo quase indeterminado, personagens secundários aparecendo basicamente todo episódio e todos os demais clichês do gênero). E isso fala muito sobre o problema geral desse tipo de anime: essencialmente, 90% deles possuem os mesmos elementos narrativos e se diferenciam apenas pela maneira como eles desenvolve (ou não) esses elementos. É claro que existem elementos básicos para o anime ser considerado do gênero, porém obviamente não são desses que eu falo. Existe a possibilidade de fazer um shounen sem se importar apenas com combates (usando poderes mágicos ou nao) escatológicas (dicas pessoais: fullmetal alchemist brotherhood, Hunter x Hunter, Noragami e Haikyuu!!). É claro que nem todo anime de shounen vai ser um transformers em versão de anime, no entanto, ninguém se refere a shounen como sendo no sentido de "ser feito para adolescentes". Ao menos neste texto esse sentido real não será utilizado.
E falando sobre shounens, o texto que está sendo escrito irá comentar sobre um dos mais famosos dos últimos 10 anos: Boku no hero academia. Bem como os demais textos, vou trazer uma visão unicamente crítica sobre o show, ou seja, o valor de entretenimento em nada conta para esse review. Vamos lá.
Bem como quase todos os shounens existentes, BNHA apresenta problemas narrativos. A premissa é a mais simples possível: pessoas começaram a nascer com poder do nada e, nos dias atuais, quase todos apresentam poderes. Quase todos, claro, excluindo o protagonista, o qual mais do que qualquer um sonha em ser um herói (mesmo que sem poderes). Essa trama não é de nenhuma maneira inovadora ou brilhante, contudo, cumpre com o papel com o "potencial para infinitos episódios" que eu mencionei acima. Tampouco não somente o anime não inova de maneira nenhuma no que a trama como ele não inova no uso dessa trama. Simplesmente temos o personagem mais clichê possível com o desenvolvimento mais clichê possível dentro da trama mais clichê possível. É importante ressaltar, antes de ir mais a fundo no show, que sim, eu sei que a primeira temporada é mais lenta e com menos clímax do que as demais porque os produtores pensaram em continuar a obra, porém isso não serve como desculpa para nada. Um anime com previsão de ter uma segunda temporada é diferente de um anime separado em 2 cours. É claro que eu não analiso somente a primeira parte de Asterisk war, porque justamente a história foi separada em dois apenas para condizer com o tamanho padrão dos animes. No caso de BNHA, as temporadas são independentes e, portanto, podem ser analisadas de maneiras individuais. E sendo bem sincero, nem considerando que ele foi dividido em dois eu consigo ajudar muito esse show.
Contudo, o início do anime engana bem o espectador. Por alguns episódios eu realmente acreditei que poderia presenciar um shounen mais focado no significado de ser um herói ao invés de um plot completamente rushado, sem graça e, novamente (sim, eu vou repetir muito essa palavra), clichê. Essa animação minha, por assim dizer, veio por duas principais razões: o bom trabalho de criar um laço entre o espectador e o personagem principal e o potencial de unir a ideia de "o quê significa ser um herói" com o fato de o All Might apresentar esse tipo de pensamento.
O primeiro ponto foi o melhor trabalho da obra. Rapidamente somos ambientados à vida de Midoriya e o seu sonho de ser um herói. A direção faz um trabalho sagaz no uso constante de flashbacks ao invés das exposições baratas comuns do gênero. Mesmo que seja um passado comum a esse tipo de personagem, compramos os sentimentos do Midoriya como sendo os nossos e isso faz que, mesmo no primeiro episódio, já torcemos pelo personagem. Contudo, essa empolgação acabou com o "treino" dele, mas já irei falar sobre esse "treinamento".
O segundo ponto foi algo completamente desperdiçado pela obra (ao menos na primeira temporada). Isso porque a filosofia do "ser um herói" é o que mais apresenta potencial nesse tipo de show, e isso poderia ser muito bem trabalho pela visão do All Might ao longo do treinamento do personagem principal, sobretudo porque ele mesmo aparenta ter uma visão diferenciada sobre o que significa ser um herói. Infelizmente, o anime não aproveita esse potencial e corre às cenas clichês de escolas de heróis e o usual rush no plot.
Lembram do treinamento? Eu costumo pensar que a qualidade de um shounen é definida na atenção dada ao treinamento do personagem principal (ou ao que quer que seja que desenvolve e aprimora os poderes do personagem principal). Se o anime utiliza o treinamento só como formar de fazer piadinhas e tiradas do protagonista tendo problemas no treino e esquece do que realmente significa um treino para um herói, existem consideráveis chances do anime só permanecer no básico do básico do gênero. Isso porque a maneira como o roteiro lida com o desenvolvimento do personagem mostra muito da maturidade (ou falta dela) do roteiro. Em outras palavras: se o roteiro não se importou com a parte mais rica e com maior potencial de desenvolvimento, ao menos inicial, do personagem, muito provavelmente ele não vai se importar com esses fatores no resto do show. E é exatamente isso que acontece em BNHA. O treino do Midoriya é utilizado para dois principais fatores narrativamente falando: para ele conseguir chegar em um ponto no qual ao menos possa utilizar parte dos poderes do All Might e para nós, espectadores, criarmos um vínculo com o personagem, já que o mesmo está se esforçando e se provando a cada dia. O problema é que é impossível haver uma seriedade e uma ligação entre nós e o personagem se o roteiro e a direção colocam uma piadinha a cada 15 segundos e, inclusive, em cenas importantes do ponto de vista da formação da conexão entre nós e o Midoriya. Além disso, essas piadinhas completamente desnecessárias desmoralizam o personagem e nos fazem pensar mais que ele é apenas um chorão do que alguém que passou por um treino intenso durante 10 meses. E você, leitor, sabe o motivo? O motivo é o principal problema envolvendo a evolução dos personagens em shounens: eles só desenvolvem músculos e habilidades. Quero dizer com isso é que não existe apenas transformação física. Um treino pesado e focado cujo objetivo é alcançar o seu sonho como o praticado pelo protagonista NECESSARIAMENTE altera a sua maneira de pensar, a sua maneira de agir e quem ele realmente é. Isso se chama ser humano, isso se chama ser um bom personagem. No entanto, o que acontece em 98% dos casos é que o protagonista passa por um treino intenso e que envolve N emoções e ele não muda em nada, ele continua como sendo alguém que ao olhar para o primeiro monstro fica como um covarde. Ora, o maior desafio da vida dele ele já enfrentou. Como pode o mesmo personagem que retirou motivações de canto nenhum, que lutou meses/anos em um treino sobre-humano, que teve que encarar suas frustrações e seus medos de frente continua sendo uma completa criança? No caso de BNHA, Midoriya é treinado pelo maior super herói de todos os tempos, o qual mais é usado pelo roteiro como Deus Ex-Machina ambulante e como fonte de piadinhas completamente estúpidas e irritantes, e em nada apresenta uma mudança de pensamento, atitude e em sei psic. Isso acaba com os dois pontos positivos citados sobre o início da obra. Se, em primeiro plano, isso problematiza a relação entre nós e o protagonista ao não humanizá-lo, em segundo plano temos que o potencial do All Might trazer uma filosofia diferenciada sobre um herói é apagada porque o maior herói da história é uma criança. Porém, o treinamento do protagonista é só a parte superior de um iceberg.
Logo após o treinamento dele acabar, temos o teste de admissão da principal academia de heróis e os acontecimentos dentro da academia. É claro que as situações que levam o protagonista a conhecer seus amigos são as mais clichês possíveis (sim, tem aquilo do protagonista tropeçar e conhecer a menina. A única diferença é que ao menos tiveram a sensibilidade de não colocar ele caindo em cima de uma parte íntima dela) e existem centenas de convenções que me fazem parecer que alguém escreveu a história do Midoriya foi escrita para ser vend...oh, wait...
De qualquer modo, o anime segue o típico passo de um anime de escola mágica com os testes, acontecimentos aleatórios planejados pelos vilões e cenas do protagonista e os demais personagens da obra. Falando em personagens, não há nenhum tipo de inovação na personalidade e na profundidade dos personagens. Em fato, retirando o Midoriya e, entre MUITAS aspas, o seu rival Bakugou, os demais personagens são os mais planificados e simplórios imagináveis. No entanto, o roteiro apresenta um ímpeto inexplicável de tentar dar importância a todos os demais estudantes da classe do protagonista, fato que impede que possamos ter tempo para os personagens que realmente são importantes para a trama. Sendo bem sincero, depois dos primeiros dois episódios, o que o show apresenta consiste exatamente em: 2 episódios do treinamento desperdiçado e a entrada do Midoriya na academia + 5 episódios de absolutamente nada, nenhum desenvolvimento de personagem, nenhum aumento de tensão da trama com a inserção de qualquer perigo e muito menos qualquer tipo de discussão mais profunda sobre o "ser um herói" + 3 episódios de um vilão completamente sem graça, não ameaçador e uma luta na qual o All Might ganha na base do grito. É, é literalmente isso o máximo que o roteiro conseguiu fazer. O único ponto de desenvolvimento de personagem foi o Midoriya deixando de ser um completo chorão de um momento para o outro porque o roteiro precisava que ele fosse minimamente corajoso para enfrentar a Liga dos Vilões nos últimos episódios.
Comentando sobre esses últimos 3 episódios, eles falam muito sobre a obra e sobre os shounens no geral. O plot desse anime é completamente ridículo e consiste no pior problema do show. Perceba que, até o episódio 10, o anime progrediu um pouco em termos de trama e, embora tenha sacrificado o ímpeto dos primeiros dois/três episódios, conseguiu manter um clima convidativo e clássico dos shounens. Até aí, era apenas mais um shounen comum. No entanto, mesmo os shounens mais descuidados e de baixa qualidade conseguem preparar minimamente o seu plot e se utilizam de vilões minimamente desafiadores. O que tivemos em BNHA foi uma ausência da preparação do desafio da série e a sua repentina aparição como algo que promete que vai dar trabalho, porém, quando vamos ver, já apanhou feito cachorro de rua. Isso porque o roteiro "apresenta" o "vilão" da temporada da maneira mais patética imaginável. Quer dizer então que a melhor escola de heróis do país permite que um indivíduo exploda o portão dela, permita a entrada de dezenas de pessoas da mídia e o diretor do colégio termina o último episódio com um rostinho feliz dizendo que todo mundo fez um bom trabalho? Ou então que literalmente um cara coberto de mãos/uma criatura gigantesca com o cérebro para fora/quem quer que seja que tenha destruído a porcaria do portão não foi em nenhum momento questionado pela própria mídia? Ou então que literalmente o mesmo cara que destrói o portão consegue tantas informações sobre o colégio que sabe a hora exata em que sua vítima vai estar em certo local e não há nenhum tipo de suspeita de espionagem ou de conspiração contra a instituição? Que tipo de maior escola de heróis é essa que sequer se preocupa com a sua segurança e permite bandidos entrarem nela sem nenhum tipo de resistência? Mas relaxe, tem coisas piores que essa. Uma delas é a cafonice do vilão. Sem nenhum tipo de profundidade ou motivação real, ele só não é comparável com os seus capangas porque esses lembram aqueles que eram presentes nas animações americanas da década de 60 e só servem de saco de pancada para adolescentes com os poderes mais aleatórios e inúteis imagináveis (sério que trocentos vilões perderam para uma garota que tem um plugin no calcanhar e outra que cria uns pedaços de ferro do nada? Me poupe...uma coisa são os vilões perderem para o garoto do gelo, outra completamente diferente é uma cacetada de vilões que fazem parte de uma Liga de Vilões perderem para um moleque de 15/16 anos que tem um rabo de pelúcia...). Na realidade, eu sequer sei o motivo de estar falando sobre profundidade e motivação dos vilões quando o anime nem nos apresenta devidamente quem eles realmente são. Há o narrador dizendo os aspectos mais básicos possíveis dele e ponto, isso é tudo que sabemos dos vilões da primeira temporada.
Porém, se os vilões patetas já eram um problema, o anime consegue selar o seu plot como algo completamente abominável ao utilizar todos os possíveis e imagináveis clichês envolvendo um herói vs alguém mais forte que ele. É exatamente isso que você pensou: o herói do dia (que, ao menos, o roteiro teve o mínimo bom senso de não colocar como sendo o Midoriya) ganha força do nada e transcende a natureza humana para derrotar um adversário muito mais forte que ele, algo que, definitivamente, não foi feito já em outros 10 mil casos de animes shounens e que com certeza não se configura como um claro momento de falta de criatividade do roteiro. E o pior: diferentemente de Kimetsu No Yaiba, aqui apenas a música salva. Na realidade, eu devo dizer que 80% do meu envolvimento emocional nas partes mais "épicas" do anime se deu pela You Say Run. Essa música é simplesmente muito boa e ela literalmente carrega o plot pateta do anime nas costas.
Veredito
BNHA é mais um dentre os milhares de shounens que mais fazem coisas erradas do que acertam. O que mais me deixa chateado nessa caso é que, ao contrário da maioria dos animes de escolas, BNHA consegue fazer o espectador entrar na história do protagonista, o que deveria ser o ponto de ignição para um anime de ação diferenciado dos demais. Infelizmente, após os primeiros 50 minutos dentro da história, o show caí em todos os clichês de gênero imagináveis e termina com um plot completamente patético, previsível e sem nenhum tipo de conexão à trama e às discussões que o anime poderia ter trazido.
Se você é uma pessoa que gosta de shounens, não há nenhum motivo para você não assistir BNHA; pelo contrário, BNHA é exatamente tudo aquilo que pessoas que gostam de shounens querem ver: personagens engraçadinhos, músicas boas, uma filosofia de fundo que aparenta ser profunda e porradaria. No entanto, se você, assim como eu, se encontra um pouco saturado de shounens, não perca seu tempo assistindo Boku no hero academia, pois ele é exatamente o motivo de tal saturação.
Notas individuais
-Roteiro: 3
-Direção: 4
-Animação: 7
-Trilha sonora: 8
Nota final: 4,5.
Review escrita dia 2 de junho de 2020.
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2020.04.21 00:49 Rafashhh Prólogo...

“Don’t stay awake for too long...”
A ideia de escrever aqui me anima um pouco... Um espaço para acalmar meus toques compulsivos de ficar vagando pela casa, apenas imaginando e conversando com meu senso crítico... Não tenho ideia de tudo que vou escrever aqui, acho que tudo que der na telha (termo antigo...). Não espere que eu não vá falar de mim mesmo aqui, não quero explicar muito mais do que já disse no texto, mas se alguém ler isso e quiser comentar alguma coisa sinta-se livre para isso, mas dentro desse post... Quanto egoísmo, não?
E agora ouvindo uma playlist minha do Spotify chamada “Bump Low, really low”, eu começo esse devaneio criativo. Acho que vou falar um pouco sobre música. É encanto que me acompanha já tem muito tempo (Assim como muitas outras pessoas), me lembro quando eu era um pouco mais novo e acreditava que música era só algo que ficava na minha cabeça as vezes, foi depois de realmente conecta-las à minha vida que passaram a se tornar parte de um quebra cabeça bem mais complexo do meu ser (Metáfora, só porque sim).
A primeira música que realmente significou algo para mim foi “Up & Up – Coldplay” ouvi ela num momento complexo, eu estava sem amigos na escola e com problemas familiares abrangentes, ao prestar atenção na letra e no ritmo da música, eu consegui ascender uma velinha do meu ser. Não significou tanto como outras viriam a significar no futuro, entretanto, já era hora de eu começar a ouvir músicas que condissessem com meu humor, ou seja música animadas num estado de euforia, músicas depressivas quando eu estivesse triste, músicas barulhentas e raivosas quando eu estivesse indignado, etc...
Hoje em dia acho essa lógica besta... Contudo, musicalmente falando eu comecei a me interessar ainda mais por melodias quando parei para prestar atenção no meu irmão tocando violão, isso despertou uma vontade singular de tocar também. Não vou me estender nesse assunto; eu gosto de tocar violão, consigo passar horas e horas do dia tocando várias músicas, e até tentando achar novos ritmos e tons para elas, mas sei que não sou muito bom nisso. Não importa.
Eu escutei pela primeira vez “I guess I’m not dead yet – Fox Academy” e percebi que música é muito mais do que um toque viciante, um bom cantor e uma boa letra... As vezes ela não precisa de tudo isso para passar um sentimento, e as músicas que eu considero mais sentimentais e mais reflexivas estão bem longes de seguirem esse modelo. Isso não me impede de gostar de várias bandas que se prendem nesse aspecto, pois são excelentes, não estou dizendo que ouvir músicas em tese “underground” te faz mais culto ou te torna uma pessoa melhor. Definitivamente uma mente fechada ao decidir quando a música é boa ou ruim, por lógicas como voz, ritmo e melodia, acaba privando muito a pessoa de um ambiente musical que eu diria ser muito fértil para a criatividade, as vezes dá para enxergar o verdadeiro motivo de um autor simplesmente pelo jeito que ele compõe a música, e por mais besta que seja, todos tem alguma coisa para passar. Gostamos de criar coisas só nossas, ou pelo menos é o que eu penso, algo que só o próprio indivíduo que fez sabe o que significa, nem que seja dando um significado próprio ao que já existe. Uma barreira psicológica ou síndrome de autoria própria? Tudo depende de contexto...
Eu ainda tenho muito mais coisa para falar sobre esse tema, mas para um prólogo acho que é o bastante... Não disse nada de outro mundo aqui, nada que irá mudar a vida de ninguém e muito menos a minha, sinto que ficou tudo pela metade, mas é como vou deixar a princípio. É simplesmente uma ótica diferente, a qual considero minha.
Acho que é como o Mitch Welling disse em uma canção “I know that most people have walls but I just don’t think mine are the same”.
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2020.02.10 15:30 KNWRV Escrevi esse conto e gostaria de um feedback

O funeral
Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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2020.02.07 23:38 jj_likes_air Seja e For e mais

Oi a todos,
Esse é meu primeiro post em português aqui então espero que dê para vocês entenderem o ponto pelo menos. Tenho um perguntinha que tem me martelando a cabeça há um tempo. Quais seriam as situações apropriadas para usar as frases:
o que seja e o que for
Do meu ponto de visto, eu acho oi dois têm o mesmo significado. Porem, as vezes falo com meus parceiros de idiomas onde afinal acabou estando errado.
Eu sei que o tempo subjuntivo do presente pode ser usado por falar sobre alguém ou algo que não tem certeza se existe. Por exemplo: Digamos que estou a procurar uma pessoa para o meu equipe de basquete
Estou em busca de uma pessoa que SEJA alto que também TENHA a habilidade de jogar basquete...
Além disso não sei das outras regras que ficam escondidas de mim. Desculpa pelo discurso, tem alguém que possa me dar o até explicar com alguns ditos em relação ao uso do o que for e o que seja? Valeu!
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2020.01.20 03:58 altovaliriano Arya Stark

Mais uma vez o “sábado de personagens” deslocado para o domingo. E mesmo assim atrasa...
Hoje, Arya Stark é a personagem da semana.
Arya é literalmente a filha do meio de Catelyn e Eddard. A terceira de cinco. A segunda do sexo feminino. Mas é a única criança de Catelyn que se parece com uma Stark. Esta constatação, isoladamente, já revela como Arya se diferencia de seus irmãos.
Porém, o caso de Arya vai mais além. Ela herdou o espírito selvagem da família de Eddard, sendo especialmente parecida com sua falecida tia Lyanna. Talvez por isso que Ned tenha tanta tolerância com Arya e seus ímpetos aventureiros e inclinações marciais. De todo modo, Ned não poderia alegar desconhecer que sua filha não aceita exercer os papéis que são relegados às mulheres nos Sete Reinos:
– E eu posso ser conselheira do rei, construir castelos ou me tornar Alta Septã?
– Você – disse Ned, dando-lhe um suave beijo na testa – casará com um rei e governará seu castelo, e seus filhos serão cavaleiros, príncipes e senhores e, sim, talvez mesmo um Alto Septão.
Arya fez uma careta.
– Não – ela protestou –, esta é a Sansa – dobrou a perna direita e voltou aos exercícios deequilíbrio. Ned suspirou e a deixou ali.
(AGOT, Eddard V)
A natureza diferenciada de Arya, porém, tem seus custos. E o principal custo é sua convivência com sua irmã Sansa. Martin chegou a declarar (vide seção abaixo) que Arya foi criada primeiro, mas que a personagem estava muito bem relacionada com os demais irmãos. Assim, ele sentiu que era necessário criar Sansa para atazana-la.
De fato, o papel de Sansa e Jeyne Poole é apenas o de ridicularizar Arya e fazer com que ela frequentemente sentisse que não tinha competência para desempenhar os papéis que eram esperados dela como mulher. Ao longo dos livros, estes sentimentos parecem não se alterar. De modo que fica cada vez mais evidente que o afeto que as irmãs nutrem uma pela outra é, no máximo, distante:
Sansa era educada demais para sorrir da desgraça da irmã, mas havia o sorriso afetado de Jeyne no seu lugar. (AGOT, Arya I)
Arya saíra ao senhor seu pai. Os cabelos eram de um castanho sem brilho, e o rosto, longo e solene. Jeyne costumava chamá-la Arya Cara de Cavalo, e relinchava sempre que ela se aproximava. (AGOT, Arya I)
Sansa sonhara em ter uma irmã como Margaery; bela e gentil, com todas as graças do mundo às suas ordens. Arya havia sido completamente insatisfatória no que tocava a ser irmã. (ASOS, Sansa II)
A Agulha era Robb, Bran e Rickon, a mãe e o pai, até Sansa. (AFFC, Arya II)
Dentre seus irmãos, Arya somente desfruta de um relacionamento próximo com seu “meio-irmão” Jon Snow. Não é coincidência que Jon seja outra pessoa por quem Sansa nutre um afeto distante. Arya e Jon dividem algumas características. Ambos não se adaptam bem à atual dinâmica familiar de Winterfell e são os parentes de Eddard que mais se assemelham a ele. Estas peculiaridades provavelmente foram as responsáveis por unir Jon e Arya.
Entretanto, muitos leitores enxergam mais do que isso. Há durante toda a saga diversos momentos em que os “meio-irmãos” pensam um no outro em contextos que sugerem inclinações românticas, ainda que platônicas.
GRRM afirma (vide seção abaixo) que tais indícios eram fortes no primeiro livro, quando ainda existia a idéia de tornar Jon e Arya um par romântico, mas que isso foi sumindo dos livros ao longo da saga. Tudo não poderia ser algum tipo de complexo fraterno.
Entretanto, não é o que se verifica nos livros seguintes. A última vez que Arya e Jon se viram foi no começo de A Guerra dos Tronos, mas eles ainda estão pensando carinhosamente um no outro mesmo nos mais recentes volumes da série:
Ygritte trotou para o lado de Jon enquanto este reduzia o passo do garrano. Ela dizia ser três anos mais velha do que ele, embora fosse quinze centímetros mais baixa; qualquer que fosse a sua idade, a garota era uma coisinha rija. Cobra das Pedras chamara-a de “esposa de lança” quando a tinham capturado no Passo dos Guinchos. Não era casada e sua arma favorita era um pequeno arco curvado feito de chifre e represeiro, mas “esposa de lança” ajustava-se a ela mesmo assim. Lembrava a Jon um pouco sua irmã, Arya*, embora esta fosse mais nova e provavelmente mais magra. Era difícil dizer se Ygritte era magra ou gorda, comtodas as*peles que usava.
(ASOS, Jon II)
Ela nunca se incomodara em ser bonita, mesmo quando era a estúpida Arya Stark. Apenas seu pai já lhe chamara daquilo. Ele, e Jon Snow, algumas vezes*. Sua mãe costumava dizer que ela poderia ser bonita se lavasse e escovasse o cabelo e tomasse mais cuidado com suas roupas, do jeito que a irmã fazia. Para a irmã, as amigas dela e todo o resto, ela fora apenas Ary a Cara de Cavalo. Mas estavam todos mortos agora, até mesmo Arya, todos menos seu meio-irmão Jon. Algumas noites, ela ouvia falarem dele nas tavernas e bordéis do Porto do Trapeiro. O Bastardo Negro da Muralha, os homens o chamavam.* Nem mesmo Jon teria reconhecido a Cega Beth, aposto. Aquilo a deixava triste*.*
(ADWD, A Garota Cega)
Em todo caso, qualquer que seja, foi este sentimento que moveu Jon Snow a abandonar seus votos e desertar a Patrulha. Assim, é algo que move Jon em direção à Arya e o leva a aceita-la da forma que ela é.
Tal qual Eddard, Jon não desdenha da aptidões de Arya. Ele foi, em verdade, o primeiro patrocinador delas, antes mesmo do pai. Ao presentar a “irmã” com Agulha, Jon semeou o terreno para que Eddard oferecesse a Arya um treinamento de dançarina da água. É notório que Eddard estava tentando desviar Arya de ambições maiores (como a cavalaria, por exemplo), mas a história de Agulha e o treinamento com a Syrio Forel forem responsáveis por plantar prenúncios frutíferos na história.
O primeiro foi tornar Braavos uma cidade com a qual Arya tinha uma ligeira familiaridade. Assim, quando ela tivesse que ir para lá, não parecesse um total tiro no escuro. A segunda é a frase que Jon Snow diz antes mesmo de presentar a irmã:
Quanto mais tempo ficar escondida, mais severa a penitência. Costurará durante todo o inverno. Quando chegar o degelo da primavera, encontrarão seu corpo ainda com uma agulha bem presa entre os dedos congelados.
(AGOT, Arya I)
Muitos leitores veem nesta frase um prenuncio de que Arya poderia morrer durante a Batalha pela Alvorada. Assim, caso se corpo fosse encontrado com a espada Agulha presa às suas mãos, saberíamos que as palavras inocente de Jon se provaram proféticas. Até mesmo poderia servir para que o corpo de Arya fosse identificado mesmo se ela estivesse com um rosto diferente.
Outro fato de nota que ocorreu a Arya antes de partir para Porto Real e todas as aventuras que se seguiram daí foi a adoção da loba gigante Nymeria. Ainda que soe natural que Arya daria um nome de uma mulher ousada para sua loba, a referência dornesa parece de alguma forma distante demais da realidade nortenha para que não haja algum significado nesta escolha... ou talvez seja apenas um detalhe de construção de mundo.
Qualquer que seja o caso, Nymeria e Arya foram separadas com pouco tempo de criação e adestramento. Este tempo,entretanto, foi suficiente para que o dom como troca-peles de Arya fosse despertado. O fato de que Nymeria conseguiu sobreviver ao ser forçada a fugir foi determinante para o desenvolvimento à distância das aptidões de Arya.
Plantadas estas idéias no leitor, Martin segue até o final de A Guerra dos Tronos fazendo com que Arya passe por horas de treinamento, ocasionalmente usando-a como espectadora de eventos inusitados, como o encontro entre Illyrio e Varys no subsolo da Fortaleza Vermelha. Um fato curioso deste encontro é que Arya observa bem a fisionomia de Illyrio, mas não a de Varys (que está disfarçado). Dessa forma, uma amiga me questionou se isso não seria um indício de que Arya poderia ter que acabar recusando uma missão da Casa do Preto e do Branco para matar Illyrio no futuro, pois o “conhece”. É uma questão a se pensar...
De toda forma, Arya presencia em mais vivacidade o massacre dos homens Stark no momento da prisão de seu pai, assim como está presente quando ele tem sua cabeça cortada. A fuga da Fortaleza Vermelha, inclusive, a provoca a matar uma pessoa pela primeira vez na vida: um cavalariço de sua idade que poderia denunciá-la.
Quando Yoren a extrai de Porto Real para leva-la ao Norte, Arya começa a ter que sobreviver em meio ao luto. Assim como Sansa, Arya é deixada em circunstância hostis. Durante os A Fúria dos Reis, ambas as garotas suportam muitos abusos e humilhações, mas ao menos Sansa pôde contar com relativo conforto. Da parte de Arya, ainda que ela desde pequena se sinta à vontade em meio à plebe, a jornada se prova particularmente árdua. Especialmente porque Arya se vê pela primeira vez vivendo sobre uma nova identidade.
Após a morte de Yoren, não demora para que o grupo de órfãos vire presa de Gregor Clegane e seu bando. Conforme se passam no cárcere, Arya começa a bolar sua famosa lista, com todas as pessoas que ela julga responsável por trazer sofrimento a ela e àqueles ao seu redor. O que é curioso é que, apesar de listar o Rei Joffrey entre os albos, a garota de 9 anos não tenha o discernimento de que sua lista somente mira em capangas e fantoches, mas esquece de vilões de verdade, como Tywin Lannister.
Essa falta de discernimento se repete quando Arya está em Harrenhal e Jaqen a oferece 3 mortes em troca das vidas que ela salvou do incêndio. Novamente, a garota Stark se limita a indicar nomes sem importância. Quando surge a ideia de nomear Tywin Lannister, sentimentos nacionalistas a fazem burlar a barganha de Jaqen para convencê-lo a ajudá-la na libertação dos prisioneiros nortenhos e dos homens Frey. Portanto, Arya não demonstra não empregar seu potencial assassino para grandes causas, atendo-se a pequenas vinganças e revanches.
Ainda assim, Jaqen entrega a Arya a moeda de ferro que mais tarde a levaria a Braavos para o treinamento junto aos homens sem rosto. O que causa curiosidade seria o motivo pelo qual Jaqen selecionou a menina. O perfil dela não combina com o da seita, como vemos ao longo de Festim dos Corvos e Dança dos Dragões. Sem falar que ele a presenciou fazendo uma barganha contra o próprio Jaqen.
Fora de Harrenhal, Arya acaba novamente sendo feita prisioneira alguns dias depois de partir. Mas dessa vez, é reconhecida e fica permanentemente na expectativa de ser levada a sua mãe, não importa se vendida ou simplesmente entregue. Mas o objetivo da viagem que Martin a impõe é conhecer os efeitos da guerra sobre as Terras Fluviais, sob o ponto de vista dos camponeses.
Antes que essa jornada termine, porém, duas coisas ocorrem: Arya é raptada por alguém em sua lista (Sandor Clegane) e Roose Bolton informa que encontrou Arya e vai enviá-la ao Norte.
Como GRRM gosta de lembrar as semelhanças entre Arya e Lyanna, não há como não enxergar em seu rapto ecos do rapto de sua tia por Rhaegar Targaryen. Talvez haja aqui algum paralelismo que estamos deixando de enxergar. Mas as distinções são bem claras. Sandor estava levando Arya de volta pra casa, enquanto Rhaegar estava levando Lyanna para longe do Norte. Um detalhe incidental nesta questão é que Sandor “morre” à beira do Tridente tal qual Rhaegar (ainda que este tenha morrido no vau rubi, local que Arya e Sandor evitaram).
Quanto ao segundo evento, a farsa de Jeyne Poole como a falsa Arya permitiria que a verdadeira se tornasse, de fato, ninguém. A intenção, claro, era fechar uma ponta para resgatar a história dali a 5 anos, quando Jeyne Poole já estivesse estabelecida como Arya. Neste futuro que nunca aconteceu, Arya haveria florescido, o que era a intenção de Martin. Ele sempre cita como as histórias dos adultos não tinha tempo para esperar que “Arya chegasse a puberdade”.
De fato, como Arya é comparada com Lyanna diversas vezes, seria de se esperar que a puberdade lhe avivasse a beleza selvagem e que já a víssemos em Braavos em estado avançado de seu treinamento. Se sabe que o primeiro capítulo de Arya em Os Ventos do Inverno foi escrito antes de Martin abandonar o salto de 5 anos, portanto, as circunstâncias que ela parece que vai viver agora aos 11 anos seriam aquelas que, originalmente, se pensava que ela viveria ao 16 anos (aproximadamente a mesma idade que Lyanna tinha quando morreu).
Porém, o caminho seguido em O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões foi acompanhar o treinamento de Arya desde o começo. Muitos leitores acusam estes capítulos de serem encheção de linguiça, mas eu os entendo apenas como lentos. Há 3 linhas mestras acontecendo neles: 1) modificações na política de Braavos, 2) conflitos internos da própria Arya não querendo abandonar sua herança Stark, 3) revelação de segredos da Casa do Preto e do Branco.
Caso o salto temporal houvesse ocorrido, eu imagino que os 2 primeiros itens poderiam ser contados facilmente via flashbacks, sem necessidade de presenciarmos as sementes serem plantadas (que é o que Martin parece ter feito ao longo de Festim e Dança). Porém, o terceiro item me parece ser o cerne dos capítulos de Arya, como ou sem salto temporal.
Era de se esperar que os sacerdotes não fiquem contando segredos a acólitos tão novos como Arya. Mas o Homem Gentil parece estar estranhamente aberto a instruir uma aprendiz com menos de 1 ano de Casa sobre a história da seita e lhe permitir fazer missões com rostos novos. E Arya não está se provando ser digna dessa confiança.
Bem, na série da HBO, a Casa do Preto e do Branco tentou eliminar Arya, mas ela simplesmente se mostrou superior ninguém sabe como. Em A Dança dos Dragões, Arya demonstrou estar um passo à frente do Homem Gentil entrando na pele de um gato de rua que a seguiu até o templo. Com este truque ela conseguiu descobrir que era o sacerdote quem a surrou quando estava cega.
Muitos leitores especulam que esta habilidade sobrenatural seria uma vantagem que Arya usaria para trapacear nos treinamentos, haja vista que não é uma habilidade pela qual Homens Sem Rosto são famosos. Daí, afirmam esses leitores, quando a convivência na Casa do Preto e do Branco se tornar insustentável e um Homem Sem Rosto for enviado para eliminar a discípula rebelde, os poderes de troca-pele são o diferencial que faria com que Arya sobrevivesse ao ataque do assassino e pudesse escapar de Braavos para Westeros.
O retorno de Arya a Westeros é outra icógnita. Atualmente não sabemos de motivos que a tirariam de Essos. Alguns apontam a morte de Jon Snow como o combustível. Mas eu costumo argumentar que Arya matou o cantor Dareon simplesmente por ele ser um desertor, como Jon. Outros acreditam que Arya saberá sobre o próprio casamento com Ramsay e virá a Westeros para desfazer a farsa. E, por fim, há aqueles que dizem que ela simplesmente voltará para matar Freys, Boltons e o restante de sua lista.
Porém, há um grande consenso que esta volta implicará em um encontro com sua mãe, agora na forma de Senhora Coração de Pedra. Alguns acreditam que este encontro será chocante o suficiente para mudar a cabeça de Arya com relação ao seu desejo de vingança. Outros acreditam que a confluência de objetivos só tornará tudo duplamente letal.
Bem, qualquer quer seja o desfecho da história, ainda não foi publicado. Nos resta especular.

Declarações de GRRM sobre Arya

PERGUNTAS

  1. Jon e Arya têm inclinações românticas reais (ainda que platônicas) um pelo outro? Ou é apenas Freud em ação?
  2. A frase de Jon sobre Arya ser encontrada congelada com agulha na mão é um presságio de que ela morrerá na batalha da alvorada?
  3. O fato de ter nomeado sua loba como Nymeria, revela que Arya teria alguma propensão para viajar a Dorne nos próximos livros?
  4. Os poderes de troca-pele de Arya são alguma forma de trapaça para o treinamento dos Homens Sem Rosto?
  5. O rapto de Arya por Sandor ecoa de alguma forma o rapto de Lyanna por Rhaegar?
  6. Você acha que os capítulos de Arya em Braavos estão mais para encheção de linguiça ou escalada de tensão?
  7. Que diferença você acha que o abandonado “salto temporal de 5 anos” faria na história de Arya pós-A Tormenta de Espadas?
  8. Você acredita que os poderes de troca-peles de Arya a farão uma assassina particularmente perigosa entre os Homens Sem Rosto?
  9. O que você acha que vai levar Arya de volta a Westeros?
  10. Você acredita que Arya se encontrará novamente com seus irmãos, Jeyne Poole ou Senhora Coração de Pedra? Caso positivo, que tipo de reação você espera que ela tenha nestes encontros?
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2020.01.18 03:56 altovaliriano O que é 'aço de dragão'?

Em suas pesquisas na biblioteca da Muralha, Samwell encontra algumas informações sobre como combater os Outros:
– A armadura dos Outros é à prova da maior parte das lâminas comuns, se é possível crer nas histórias – Sam respondeu –, e as espadas que usam são tão frias que estilhaçam o aço. Mas o fogo os afugenta, e são vulneráveis à obsidiana – recordou-se daquele que enfrentara na floresta assombrada, e o modo como parecera se derreter quando o ferira com o punhal de vidro de dragão que Jon lhe fizera. – Encontrei um relato da Longa Noite que fala do último herói a matar Outros com uma lâmina de aço de dragão. Supostamente não conseguiam resisti-lo.
– Aço de dragão? – Jon franziu as sobrancelhas. – Aço valiriano?
– Esta também foi minha primeira ideia.
(AFFC, Samwell I)
O diálogo entre Jon e Sam termina sem que tenhamos qualquer certeza sobre o que viria a ser o tal "aço de dragão". A especulação de que seria aço valiriano parece ser uma resposta que satisfaz a muitos leitores e foi a solução adotada pela série da HBO, o que, para muitos, reforça a sensação de que o palpite de Jon e Samwell estava correto.
Porém, "muitos" não são "todos". Há quem suspeite que "aço de dragão" não seria aço valiriano, e eu sou uma dessas pessoas. Assim, passemos à análise.

Necessidade do sinônimo

Por que Martin criaria uma segunda palavra para designar aço valiriano? Já que o primeiro palpite de Jon e Samwell foi exatamente que as palavras eram equivalentes, qual era a necessidade de criar uma nova palavra? Um belo detalhe de construção do mundo para demonstrar a evolução dos termos ao longo dos milênios? Não me parece.
Este não é o único mistério semântico de O Festim dos Corvos. Martin também surgiu com a profecia do valonqar, na qual joga com a confiabilidade dos termos que ouvimos. Neste outro mistério, por exemplo, arrisco dizer que pouquíssimos leitores seguem o palpite de Cersei de que seria Tyrion e se recusam a aceitar a interpretação restritiva do termo "irmão mais novo" como sendo o irmão mais novo da própria Cersei.
Outro mistério semântico decorre do enigma de meistre Aemon pouco antes de morrer: "a esfinge é a adivinha, não o adivinho". A situação de que Aemon não conheceu Alleras, mas era dotado de sonhos de dragão deixa o leitor dentro de um paradoxo. Não há referências o suficiente para que se saiba se meistre Aemon está falando sobre as esfinges valirianas ou sobre Alleras.
Por fim, meistre Aemon também arrisca a dizer que a profecia eclética de Melisandre, ora sobre "Azor Ahai", ora "Príncipe que foi prometido", teria sido interpretado de forma errada, o que teria resultado na procura por alguém do sexo masculino, esquecendo de considerar alguém do sexo feminino. Nós só temos uma noção geral do que está escrito nas profecias lidas, mas desconhecemos qualquer passagem que fale em príncipe ou princesa. Ainda assim, Martin logrou colocar o leitor dentro de um debate semântico.
Portanto, é curioso que em um livro coalhado de mistérios semânticos adorados e explorados à exaustão pelo fandom, haja tanto consenso sobre aço de dragão e aço valiriano serem sinônimos.
Mas também há aqueles que apelam para o argumento de que os valirianos não chamariam seu próprio aço de aço valiriano, por esta razão o nome "aço de dragão" seria o nome que o material teria em Valíria e que, somente com o tempo, o nome "aço valiriano" se firmou fora da península para se referir ao "aço de dragão".
Essa situação é justamente o que acontece com a obsidiana. Em Valíria, ela era chamada de "fogo congelado", os plebeus de Westeros a chamam de vidro de dragão e os meistres da Cidadela a chamam apenas de obsidiana. Mas é justamente aqui que está a armadilha desta comparação: diversas pessoas sabem que estas palavras são sinônimas (Melisandre, Meistre Yandel) e já que é a tradução em valiriano para obsidiana, qualquer pessoa que falasse Alto Valiriano também conheceria seu significado.
Dessa forma, se o aço valiriano fosse chamado literalmente de "aço de dragão" em Valíria, qualquer pessoa que falasse valiriano saberia que as expressões são sinônimas. Convenientemente, alguns capítulos depois da conversa com Jon, Samwell diz a Aemon que só falava "um pouco de alto valiriano" (AFFC, Samwell III).
Entretanto, é preciso notar que a palavra não deveria estar em valiriano no texto que Sam leu, mas na língua de Westeros. Como nós sabemos, os registros dos eventos ocorridos na Era dos Heróis "são obras de septões e meistres escritas milhares de anos depois do fato" (TWOIAF, A Era dos Heróis). Portanto, isso reduz nos deixa com algumas poucas opções:
  1. O relato falava de "aço valiriano" e o autor do texto usou o sinônimo "aço de dragão";
  2. O relato falava expressamente em "aço de dragão" e o autor do texto somente reproduziu o que ouviu;
  3. Não há pegadinha nenhuma, e aço de dragão e aço valiriano não são sinônimos.
Agora precisamos filtrar estas opções com auxílio de outros argumentos.

A questão de tempo, local e tecnologia

Samwell afirma ter encontrado a menção a aço de dragão em um "relato da Longa Noite". Isso traz uma série de problemas de confiabilidade a este registro.
Segundo a linha do tempo que temos, a Longa Noite ocorreu quando Westeros ainda vivia sua Idade do Bronze e Valíria sequer existia como civilização. Várias pessoas argumentam que isso não impediria que o segredo da manufatura já existisse antes do surgimento do domínio valiriano, até mesmo fora da península valiriana.
De fato, muitos alegam que, diante da suspeita de que o aço valiriano é forjado com ajuda de fogo de dragão ("um dia receberá das minhas mãos uma espada longa como o mundo nunca viu outra igual, forjada por um dragão e feita de aço valiriano" - AGOT, Daenerys X), a técnica poderia ter sido conhecida primeiro em Asshai, pois diz-se que os dragões podem ter se originado nas Terras das Sombras.
Contudo, nenhuma dessas alegações tem qualquer base.
Na verdade, temos diversas evidências para acreditar que somente os valirianos sabiam fabricar o aço que leva o nome deles, haja vista que todo o conhecimento de sua fabricação se perdeu com a Perdição:
Alguns mestres armeiros podiam voltar a trabalhar aço valiriano, mas os segredos de sua manufatura tinham sido perdidos quando a Perdição chegou à antiga Valíria.
(ASOS, Tyrion IV)
O aço valiriano sempre foi caro, mas tornou-se consideravelmente mais quando não havia mais Valyria, e o segredo de sua fabricação se perdeu.
(SSM de 2008)
As propriedades do aço valiriano são bem conhecidas, e são resultado tanto do fato de que o ferro era dobrado muitas vezes para equilíbrio e remoção de impurezas, quanto do uso de feitiços ‒ ou, pelo menos, de artes que não conhecemos ‒ para dar força sobrenatural ao aço resultante. Essas artes estão perdidas nos dias de hoje, embora ferreiros de Qohor afirmem que ainda conhecem as mágicas para retrabalhar o aço valiriano sem perder sua força ou capacidade insuperável de se manter afiada.
(TWOIAF, A Era dos Heróis)
Só ali, em todo o mundo, a arte de retrabalhar o aço valiriano foi preservada, seus segredos zelosamente guardados.
(TWOIAF, Outras Terras: Qohor)
Diante disto, é muito provável que a técnica tenha surgido e morrido em Valíria sem se espalhar pelo resto do mundo, nem mesmo para outras cidades do domínio valiriano. De fato, como se vê, nas Cidades Livres só Qohor tem uma fagulha desse conhecimento, mas nem mesmo ela é capaz de produzir aço valiriano.
O resultado imediato desta constatação é vermos a impossibilidade de que aço valiriano tenha sido produzido durante a longa noite ou que 'aço de dragão' fosse a palavra que a Westeros da Era dos Heróis usava para definir este tipo de material.
Por outro lado, o tal aço de dragão não precederia apenas ao surgimento de Valíria, mas talvez ao próprio aço. Não há nenhuma indicação de quando a tecnologia do aço foi aperfeiçoada no mundo de Westeros, mas sabemos que a arte de forjar o ferro que foi passada a ândalos e valirianos foi apreendida com os roinares.
E esta arte somente chegou em Westeros muito tempo depois da Longa Noite:
Varrendo o Vale com fogo e espada, os ândalos começaram a conquista de Westeros. Suas armaduras e armas de ferro superavam o bronze com o qual os Primeiros Homens ainda lutavam, e muitos Primeiros Homens pereceram nessa guerra.
(TWOIAF, A Chegada dos Ândalos)
Os Gardener também foram atrás de artesãos ândalos e encorajaram seus senhores vassalos a fazer o mesmo. Ferreiros e pedreiros, em particular, eram generosamente recompensados. Os ferreiros ensinaram os Primeiros Homens a usarem armas e armaduras de ferro no lugar de bronze, enquanto os pedreiros os ajudaram a fortalecer as defesas de seus castelos e fortalezas.
(TWOIAF, A Campina: Os ândalos na Campina)
Portanto, temos motivos para acreditar que o tal "aço de dragão" não veio de Valíria e poderia não ter nada a ver com aço em si.

Material alternativo ao aço valiriano

Intencionalmente, vou ignorar todas as teorias alternativas que propõem que aço de dragão seria alguma variedade aço valiriano. Vou listar aqui as que conheço para que todos saibam o que estou ignorando:
Eliminadas essas opções, resta apenas um material que poderia ter colocado o "dragão" na expressão "aço de dragão": ossos de dragão. Curiosamente, desde o início da saga isto está lá, plantando expressamente nos livros:
Tyrion enrolou-se em sua pele com as costas apoiadas no tronco, bebeu um gole de vinho e pôs-se a ler sobre as propriedades do osso de dragão. O osso de dragão é negro devido à grande quantidade de ferro que contém, dizia o livro. É forte como aço, mas é também leve e muito mais flexível, e, claro, completamente à prova de fogo. Os arcos de osso de dragão são muito apreciados pelos dothrakis, e sem surpresa. Um arqueiro assim armado pode alcançar mais longe do que com qualquer arco de madeira.
(AGOT, Tyrion III)
Ocorre que muitos leitores não gostam da ideia de que os ossos de dragão seriam um bom substituto para o aço valiriano. Como se trata de osso, por mais que tenha ferro em sua composição, não haveria como se forjar o osso para se tornar uma lâmina que pudesse ser usada contra os Outros.
A solução, portanto, replicam os defensores desta teoria, era que os ossos fossem entalhados até poderem ser usados como lanças ou lâminas. Afinal, usar lâminas feitas de osso era um costume provável entre os primeiros homens, pois ainda hoje o Povo Livre se vale de longas lâminas feitas de osso:
Quando Varamyr viu a mulher morta na floresta, ajoelhou-se para retirar a capa dela e não notou o garoto até que o menino irrompeu de seu esconderijo para acertá-lo com uma longa faca de osso e arrancar a capa de seus dedos.
(ADWD, Prólogo)
Val acariciou a faca de osso comprida em seus quadris.
(ADWD, Jon X)
Entretanto, muitas críticas foram feitas a essa alternativa, pois haveria limites para o tipo de armas que poderiam ser produzidas. Sem falar que lâminas equivalentes a espadas estariam supostamente fora de cogitação, pois o material seria supostamente flexível demais, mais apropriado para um arco, como Tyrion supostamente teria observado.
Ocorre que espadas de aço são bastante flexíveis, a fim de absorver o impacto, de forma que a plasticidade do material não seria em si um impeditivo. Na verdade, Martin parece ter intencionalmente evitado falar sobre lâminas feitas de ossos de dragão para surpreender o leitor mais tarde.
Entretanto, o entalhe dos ossos é apenas uma opção. Devido a sua composição cheia de ferro, não é fácil prever a que tipo de armas é possível fazer com este material e que tipo de deformações ele necessitaria/suportaria. Martin não deu nenhum detalhe sobre isso. Porém, ele fez algumas analogias com relação aos dentes de dragão que, à luz de todos os argumento neste texto, podem soar como bastante reveladoras:
Arya pôs-se em pé, movendo-se com cuidado. As cabeças estavam todas em volta dela. Tocou em uma, curiosa, perguntando-se se seria verdadeira. As pontas de seus dedos roçaram um maxilar maciço, sentindo-o bastante real. O osso era suave sob sua mão, frio e duro ao toque. Percorreu um dente com os dedos, negro e aguçado, um punhal feito de escuridão. Aquilo a fez estremecer.
– Está morto – disse em voz alta. – É só um crânio, não pode me fazer mal – mas, de algum modo, o monstro parecia saber que ela estava ali. Podia sentir seus olhos vazios observando-a por entre as sombras, e havia qualquer coisa naquela sala escura e cavernosa que não gostava dela. Afastou-se do crânio com cuidado e bateu as costas num segundo, maior que o primeiro. Por um instante sentiu os dentes se enterrarem em seu ombro, como se aquilo desejasse mordê-la. Arya rodopiou, sentiu o couro prender-se e se rasgar quando uma enorme presa mordeu seu colete, e então desatou a correr. Outro crânio ergueu-se na sua frente, o maior de todos os monstros, mas Arya nem sequer titubeou. Saltou sobre uma fileira de dentes negros altos como espadas, precipitou-se por entre maxilas famintas e atirou-se contra a porta.
(AGOT, Arya III)
Indo direto ao assunto, os dentes de um dragão poderiam servir como dezenas de lâminas. Enquanto estivesse vivo, a mordida do dragão seria terrivelmente eficaz. Porém, mesmo depois de morto, poderiam seu usados por seres humanos como armas altamente eficazes contra os outros.
Portanto, Aço de dragão ser osso de dragão significaria que, mesmo que os outros derrotassem os dragões de Daenerys, os heróis ainda poderiam usar os ossos e, principalmente, os dentes dos cadáveres dos dragões para vencer a Batalha da Aurora.
Isso daria sentido a Martin não precisar que os Dragões de Daenerys tivessem o tamanho de Balerion, Vhagar e Meraxes para que houvessem boas chances de vitória.
Você agora poderia me perguntar como foi que os Primeiros Homens poderiam ter ossos de dragão para fazer "aço de dragão" se apenas havia dragões na península valiriana e nas Terras da Sombra, mas não em Westeros. Bem, vou deixar que GRRM e Meistre Yandel respondam:
FÃ: Em 'O Cavaleiro Andante' são mencionados dragões antigos, com milhares de anos de idade. Havia dragões em Westeros antes que os Targaryen os trouxessem, ou eles trouxeram os esqueletos dos antigos dragões com eles?
GRRM: Havia dragões por toda parte, no passado.
(SSM de 1999)
No entanto, se os homens da Sombra domaram os dragões primeiro, por que não partiram para a conquista, como os valirianos? Parece mais provável que o relato dos valirianos seja o mais verdadeiro. Mas já existira dragões em Westeros antigamente, muito antes da chegada dos Targaryen, como nossas próprias lendas e histórias nos contam. Se os dragões saíram das Catorze Chamas, eles devem ter se espalhado pela maior parte do mundo conhecido antes de serem domados. E, de fato, há evidências disso, como ossos de dragões encontrados tão ao norte quanto Ibben, e mesmo nas florestas de Sothoros. Mas os valirianos os subjugaram e colocaram arreios nele como ninguém mais foi capaz de fazer.
(TWOIAF, A Ascensão de Valíria)

Alternativa nº 2

Caso você não tenha comprado a ideia de que "aço de dragão" não precisa ser feito de metal, há um outro modo de produzir armas com ossos de dragão que pode lhe interessar.
Em resumo, o ferro nos ossos dos dragões deve ter propriedades mágicas e assim bastaria extraí-lo dos ossos e misturá-lo com aço normal na forja. Eu li uma thread em que um usuário do Forum of Ice and Fire dizia que era comum misturar ossos ao ferro na metalurgia da Idade Média, por conta do carbono no osso (o controle do carbono no metal é essencial na transformação de ferro em aço).
Outra opção seria fundir o ferro no osso para criar uma peça inteiramente feita de "ferro de dragão" e posterioment transformá-lo em "aço de dragão". Mas a técnica de fundição de ferro é algo que somente foi implementado com algum sucesso em tempos mais modernos (com a invenção da forja catalã, altos fornos e, finalmente, o Forno Siemens-Martin). Assim, a técnica parece muito avançada para ter sido utilizada na Era dos Heróis.
Por outro lado, o próprio Martin afirma que nem mesmo em tempos recentes este tipo de coisa era normal entre os valirianos:
FÃ: Em Valyria, eles usavam osso de dragão no aço valiriano?
GRRM: Não.
(SSM de 2002)
Por essa razão que eu não acredito que esta alternativa seja a correta. Aposto na opção dos ossos de dragão entalhados ou dentes de dragão com empunhaduras de couro.
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2020.01.16 01:33 KNWRV O Funeral

Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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